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  • EP 164 — Mercedes avalia limites da eletrificação e ClickBus detalha uso de IA na venda de passagens

    EP 164 — Mercedes avalia limites da eletrificação e ClickBus detalha uso de IA na venda de passagens

    Episódio do Podcast do Transporte reúne debates sobre eletrificação, inteligência artificial, novos produtos, reforma tributária e combate ao transporte irregular

    A transformação do transporte de passageiros passa por diferentes frentes — da eletrificação dos ônibus à inteligência artificial, passando por novos modelos de negócios, mudanças tributárias e o combate ao transporte irregular.

    Esses temas estão no centro do EP 164 do Podcast do Transporte, que reúne entrevistas, análises e informações sobre os principais movimentos do setor. A edição foi gravada também no estúdio avançado montado durante a Lat.Bus 2026 e traz como destaques a avaliação da Mercedes-Benz sobre os limites atuais da eletrificação e os avanços da ClickBus no uso de inteligência artificial.

    Mercedes-Benz avalia os desafios da eletrificação

    Em entrevista ao Podcast do Transporte, Walter Barbosa, da Mercedes-Benz, falou sobre o avanço da eletrificação no transporte coletivo e os desafios que ainda precisam ser enfrentados para que a tecnologia avance de forma consistente no mercado brasileiro.

    Um dos destaques é o e-City, modelo apresentado na Lat.Bus com a proposta de ampliar a presença dos ônibus elétricos também em cidades médias e pequenas.

    Para Barbosa, a eletrificação é uma tendência irreversível, mas sua expansão depende de fatores que vão além da tecnologia dos veículos. Entre eles estão a disponibilidade de infraestrutura de recarga e, principalmente, as condições de financiamento necessárias para viabilizar grandes frotas.

    Nesse cenário, a recomendação é evitar uma transição baseada em uma única solução. O caminho passa pelo escalonamento das compras e pela combinação de diferentes tecnologias de propulsão, considerando as características e necessidades de cada operação.

    Inteligência artificial transforma a experiência de compra de passagens

    A tecnologia também está mudando a relação entre passageiros, empresas e operadores.

    No estúdio avançado da Lat.Bus, Elbert Leonardo, da ClickBus, explicou como a empresa vem utilizando inteligência artificial para tornar a jornada de compra de passagens mais simples e eficiente.

    A tecnologia já é aplicada para auxiliar passageiros na escolha de destinos, horários e preços, utilizando dados para oferecer recomendações mais alinhadas ao perfil e à necessidade de cada usuário.

    A ClickBus também apresentou um novo portal voltado aos seus parceiros, reunindo recursos como consulta a cancelamentos, histórico de vendas e previsões de demanda.

    Outro movimento destacado é a oferta de soluções white label, permitindo que parceiros utilizem a tecnologia da plataforma em suas próprias operações, além do atendimento pelo WhatsApp com suporte de inteligência artificial.

    A proposta é utilizar a IA não apenas como ferramenta de atendimento, mas também como instrumento de apoio à tomada de decisão e à gestão das operações.

    Volkswagen Caminhões e Ônibus amplia atuação

    Na cobertura dos lançamentos e novidades do setor, Márcia Pinna apresenta os principais movimentos observados após a Lat.Bus e antecipa novidades que devem ganhar espaço até a Fenatran.

    Entre os destaques está a entrada da Volkswagen Caminhões e Ônibus no segmento de utilitários. A estratégia envolve produção na China e previsão de início das entregas a partir de 2027.

    A empresa também reforçou os resultados obtidos durante a Lat.Bus 2026 e o interesse em segmentos de maior volume, incluindo o transporte de passageiros.

    O movimento mostra como as fabricantes vêm ampliando seus portfólios e buscando novas oportunidades em um mercado marcado por mudanças tecnológicas e pela necessidade de soluções cada vez mais eficientes.

    Reforma tributária pode impactar fabricantes e operadores

    As mudanças provocadas pela reforma tributária também estão no radar do episódio.

    Adamo Bazani analisa os possíveis impactos da substituição das atuais regras de PIS e Cofins pela CBS, especialmente sobre o fluxo de caixa das fabricantes de ônibus e caminhões.

    Ainda existem incertezas relacionadas à alíquota definitiva da CBS, mas o novo sistema poderá produzir mudanças importantes na estrutura de custos e na dinâmica dos créditos tributários.

    No transporte coletivo, os ônibus urbanos terão isenção de IBS e CBS, enquanto o transporte intermunicipal contará com redução de 40%, além da possibilidade de utilização de créditos tributários.

    Para o setor, acompanhar a implementação das novas regras será fundamental para compreender seus efeitos sobre preços, investimentos e planejamento financeiro.

    Abrati alerta para avanço do transporte irregular

    Outro tema de grande preocupação para o setor é o crescimento do transporte clandestino.

    Letícia Pineschi, diretora-geral da Abrati, alerta que o transporte irregular já representa 42,1% das autuações em 2026, contra 25,8% no ano anterior.

    Segundo a entidade, a facilidade de comercialização de viagens pela internet e as limitações tecnológicas enfrentadas pelos órgãos de fiscalização contribuem para o avanço desse tipo de operação.

    A Abrati defende maior integração entre as bases de dados da PRF, ANTT, concessionárias e plataformas digitais, permitindo identificar operações irregulares com mais rapidez e eficiência.

    A digitalização das vendas, portanto, traz benefícios para o transporte regular, mas também cria novos desafios para a fiscalização.

    Editorial: América Latina como comunidade de conhecimento

    No editorial desta edição, Alexandre Pelegi amplia o debate para além das fronteiras brasileiras.

    Os desafios enfrentados pelo transporte público são, em muitos casos, semelhantes em diferentes países da América Latina. Ao mesmo tempo, cada mercado desenvolveu experiências próprias para lidar com questões como mobilidade urbana, financiamento, tecnologia, sustentabilidade e qualidade do serviço.

    O Brasil possui soluções e experiências importantes para compartilhar, mas também tem muito a aprender com iniciativas desenvolvidas em países como Chile, Colômbia e México.

    Para Pelegi, a aproximação entre esses mercados pode transformar a América Latina em uma verdadeira comunidade de conhecimento, capaz de compartilhar experiências, estimular negócios e criar um ambiente favorável à experimentação de novas soluções para o transporte público.

    Informação, tecnologia e transformação do transporte

    O EP 164 mostra que a transformação do transporte de passageiros não acontece a partir de uma única tecnologia ou tendência.

    A eletrificação exige planejamento, infraestrutura e novas formas de financiamento. A inteligência artificial abre possibilidades para melhorar a experiência do passageiro e apoiar a gestão das empresas. A reforma tributária poderá alterar estruturas de custos, enquanto o combate ao transporte irregular exige fiscalização cada vez mais integrada e tecnológica.

    Ao reunir essas diferentes perspectivas, o Podcast do Transporte apresenta um panorama dos principais desafios e oportunidades que estão moldando o setor.

    🎧 Ouça o EP 164

    Informação com análise é no Podcast do Transporte.

    O episódio é publicado às quartas-feiras e pode ser ouvido pelo Spotify ou pelo agregador de podcasts de sua preferência.

    Acompanhe também o conteúdo pelo site do Podcast do Transporte e confira os cortes e entrevistas no YouTube.

    O Podcast do Transporte é um produto do Diário do Transporte, em parceria com a Technibus/OTM Editora e a ANTP. A produção é da Toda Onda, com direção de Luiz Henrique Romagnoli e edição geral de Alexandre Pelegi.

  • Reforma tributária acende alerta no transporte de passageiros

    Reforma tributária acende alerta no transporte de passageiros

    NTU e ABRATI acompanham regulamentação e apontam riscos e oportunidades para o setor

    A reforma tributária brasileira entra em uma fase decisiva de regulamentação e já mobiliza o setor de transporte de passageiros. Entidades representativas como a NTU e a ABRATI estão atentas aos desdobramentos para garantir que o novo sistema preserve a sustentabilidade dos serviços urbanos e rodoviários, mantendo equilíbrio concorrencial, transparência e segurança jurídica para empresas e usuários.

    NTU: isenção sem crédito compromete a neutralidade

    Segundo Marcos Bicalho, diretor de Gestão da NTU, o modelo atual previsto na reforma traz um ponto crítico: embora o transporte urbano seja isento de IBS e CBS, as empresas não poderão recuperar créditos dos tributos embutidos em insumos essenciais, como veículos, pneus e diesel.

    Na prática, isso quebra o princípio de neutralidade tributária — um dos pilares da reforma — e pode gerar distorções relevantes no setor. A NTU busca uma solução administrativa junto ao Ministério da Fazenda, mas não descarta levar a discussão ao Congresso Nacional ou até ao Judiciário, caso necessário.

    Vale-Transporte: benefício fiscal precisa ser preservado

    Outro ponto de atenção levantado pela NTU é o futuro do Vale-Transporte. Atualmente, empresas que adquirem o benefício podem se creditar de PIS/Cofins, o que incentiva o uso formal do sistema.

    A entidade defende que essa lógica seja mantida no novo modelo com IBS e CBS. Sem essa preservação, há risco de aumento de práticas irregulares, como o pagamento em dinheiro, o que enfraquece o sistema e reduz a transparência.

    ABRATI: mais transparência e combate ao clandestino

    A ABRATI, representada pela tributarista Angélica Lopes, avalia que a reforma pode trazer avanços importantes. Um deles é a maior transparência, já que os tributos IBS e CBS serão destacados “por fora” da tarifa, permitindo melhor compreensão dos custos.

    Outro ponto positivo é a digitalização do sistema tributário, que tende a dificultar a atuação de operadores clandestinos e fortalecer empresas que atuam dentro da legalidade. Ainda assim, a entidade reforça a necessidade de garantir neutralidade na carga tributária e orienta as empresas a se prepararem para o período de transição, que se estende até 2027.

    Tarifa zero e impacto no orçamento das famílias

    A especialista Márcia Pinna destaca dados relevantes sobre o peso do transporte no orçamento familiar. Pesquisa realizada no Distrito Federal indica que famílias de baixa renda comprometem entre 25% e 37% da renda com deslocamento.

    O programa Vai de Graça, que registrou aumento de até 70% no número de passageiros em domingos e feriados, evidencia que a redução ou eliminação da tarifa amplia o acesso à mobilidade e reduz desigualdades — desde que acompanhada por oferta adequada de cobertura, frequência e qualidade.

    Plano do Clima: metas ambientais e inovação

    No campo ambiental, o Plano do Clima Brasileiro 2035 estabelece metas ambiciosas para o transporte de passageiros. Entre as diretrizes estão:

    • Prioridade para sistemas sobre trilhos
    • Expansão de corredores de alta capacidade
    • Adoção de tecnologias limpas

    Um dos destaques é o retrofit ecológico, que permite a conversão de ônibus a diesel em veículos elétricos — alternativa considerada viável para acelerar a transição energética. A meta é reduzir em 42% as emissões do setor até 2035.

    Tendências globais: bilhetagem e mobilidade inteligente

    Direto de Londres, Alexandre Pelegi traz insights da Transport Ticketing Global 2026, um dos principais eventos mundiais do setor. Entre as tendências destacadas estão:

    • Uso crescente de inteligência artificial
    • Pagamentos em modelo Open Loop
    • Bilhetagem baseada em conta (ABT)
    • Integração por dados abertos

    Essas inovações estão redesenhando a forma como bilhões de passageiros acessam e pagam pelo transporte, promovendo maior integração entre modais e eficiência operacional. Empresas brasileiras já acompanham de perto essas transformações.


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    O podcast é uma iniciativa do Diário do Transporte em parceria com a Technibus/OTM Editora e a ANTP, com produção da Toda Onda, direção de Luiz Henrique Romagnoli e edição geral de Alexandre Pelegi.