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  • Reforma tributária acende alerta no transporte de passageiros

    Reforma tributária acende alerta no transporte de passageiros

    NTU e ABRATI acompanham regulamentação e apontam riscos e oportunidades para o setor

    A reforma tributária brasileira entra em uma fase decisiva de regulamentação e já mobiliza o setor de transporte de passageiros. Entidades representativas como a NTU e a ABRATI estão atentas aos desdobramentos para garantir que o novo sistema preserve a sustentabilidade dos serviços urbanos e rodoviários, mantendo equilíbrio concorrencial, transparência e segurança jurídica para empresas e usuários.

    NTU: isenção sem crédito compromete a neutralidade

    Segundo Marcos Bicalho, diretor de Gestão da NTU, o modelo atual previsto na reforma traz um ponto crítico: embora o transporte urbano seja isento de IBS e CBS, as empresas não poderão recuperar créditos dos tributos embutidos em insumos essenciais, como veículos, pneus e diesel.

    Na prática, isso quebra o princípio de neutralidade tributária — um dos pilares da reforma — e pode gerar distorções relevantes no setor. A NTU busca uma solução administrativa junto ao Ministério da Fazenda, mas não descarta levar a discussão ao Congresso Nacional ou até ao Judiciário, caso necessário.

    Vale-Transporte: benefício fiscal precisa ser preservado

    Outro ponto de atenção levantado pela NTU é o futuro do Vale-Transporte. Atualmente, empresas que adquirem o benefício podem se creditar de PIS/Cofins, o que incentiva o uso formal do sistema.

    A entidade defende que essa lógica seja mantida no novo modelo com IBS e CBS. Sem essa preservação, há risco de aumento de práticas irregulares, como o pagamento em dinheiro, o que enfraquece o sistema e reduz a transparência.

    ABRATI: mais transparência e combate ao clandestino

    A ABRATI, representada pela tributarista Angélica Lopes, avalia que a reforma pode trazer avanços importantes. Um deles é a maior transparência, já que os tributos IBS e CBS serão destacados “por fora” da tarifa, permitindo melhor compreensão dos custos.

    Outro ponto positivo é a digitalização do sistema tributário, que tende a dificultar a atuação de operadores clandestinos e fortalecer empresas que atuam dentro da legalidade. Ainda assim, a entidade reforça a necessidade de garantir neutralidade na carga tributária e orienta as empresas a se prepararem para o período de transição, que se estende até 2027.

    Tarifa zero e impacto no orçamento das famílias

    A especialista Márcia Pinna destaca dados relevantes sobre o peso do transporte no orçamento familiar. Pesquisa realizada no Distrito Federal indica que famílias de baixa renda comprometem entre 25% e 37% da renda com deslocamento.

    O programa Vai de Graça, que registrou aumento de até 70% no número de passageiros em domingos e feriados, evidencia que a redução ou eliminação da tarifa amplia o acesso à mobilidade e reduz desigualdades — desde que acompanhada por oferta adequada de cobertura, frequência e qualidade.

    Plano do Clima: metas ambientais e inovação

    No campo ambiental, o Plano do Clima Brasileiro 2035 estabelece metas ambiciosas para o transporte de passageiros. Entre as diretrizes estão:

    • Prioridade para sistemas sobre trilhos
    • Expansão de corredores de alta capacidade
    • Adoção de tecnologias limpas

    Um dos destaques é o retrofit ecológico, que permite a conversão de ônibus a diesel em veículos elétricos — alternativa considerada viável para acelerar a transição energética. A meta é reduzir em 42% as emissões do setor até 2035.

    Tendências globais: bilhetagem e mobilidade inteligente

    Direto de Londres, Alexandre Pelegi traz insights da Transport Ticketing Global 2026, um dos principais eventos mundiais do setor. Entre as tendências destacadas estão:

    • Uso crescente de inteligência artificial
    • Pagamentos em modelo Open Loop
    • Bilhetagem baseada em conta (ABT)
    • Integração por dados abertos

    Essas inovações estão redesenhando a forma como bilhões de passageiros acessam e pagam pelo transporte, promovendo maior integração entre modais e eficiência operacional. Empresas brasileiras já acompanham de perto essas transformações.


    Ouça agora

    O podcast é uma iniciativa do Diário do Transporte em parceria com a Technibus/OTM Editora e a ANTP, com produção da Toda Onda, direção de Luiz Henrique Romagnoli e edição geral de Alexandre Pelegi.

  • EP115 | COP30: Transportes Unidos Pela Descarbonização – Um Movimento que Já Começou

    O mais recente episódio do Podcast do Transporte traz uma mensagem poderosa: a transformação sustentável da mobilidade brasileira já está em curso – e vai com força total rumo à COP30 em Belém.

    Transporte terrestre, aéreo e marítimo se unem para apresentar uma agenda climática conjunta e ambiciosa. A Coalizão dos Transportes — uma aliança formada por empresas e entidades do setor — acaba de ganhar 69 novos membros, entre eles a MobiBrasil, que já coloca a sustentabilidade em prática no dia a dia.

    MobiBrasil: Sustentabilidade Além do Discurso

    Manuel Marinho, diretor da MobiBrasil, não deixa dúvidas: não há futuro sem responsabilidade ambiental. A empresa já opera com metas climáticas bem definidas, participa ativamente de fóruns técnicos e possui uma estrutura robusta voltada à sustentabilidade.

    Recentemente, resolveu de vez os desafios com a infraestrutura elétrica — agora, os 100 ônibus elétricos da frota estão em pleno funcionamento. E mais vem por aí: até dezembro, a garagem da Mobi em São Paulo estará pronta para receber mais 65 veículos elétricos.

    Esse compromisso vai além da operação — é uma escolha estratégica por um futuro limpo, justo e eficiente.

    Três Caminhos para Reduzir 60% das Emissões

    Miguel Setas, CEO da Motiva, apresenta de forma clara o que precisa ser feito:

    1. Expandir o uso de modais sustentáveis, como ferrovias e hidrovias.

    2. Dobrar o consumo de biocombustíveis até 2050.

    3. Acelerar a eletrificação das frotas.

    Ele ainda aponta o hidrogênio verde como a grande promessa para o transporte pesado. A boa notícia? As empresas estão finalmente equilibrando suas decisões entre lucro e impacto ambiental. É um novo paradigma.

    Fretamento 2025: Hora de Unir Forças

    Durante o maior evento do setor de fretamento, realizado em Foz do Iguaçu, ficou claro: o diálogo entre operadores e governo amadureceu — mas o caminho ainda tem obstáculos.

    Adamo Bazani e Milton Zanca, presidente da FRESP, destacam entraves como a lei do motorista, o uso obrigatório de biodiesel e os juros altos. A mensagem é direta: só com união o setor poderá avançar.

    Fretamento Precisa de Leis Justas

    Márcia Pinna entrevista Joel Bitencourt, assessor jurídico da FRESP, que faz um alerta: a legislação atual trata o fretamento como se fosse transporte de carga. E isso é um erro grave.

    Sem considerar as particularidades do setor — como jornadas fracionadas e descanso digno — muitas empresas correm risco de desaparecer. É hora de repensar as regras. A sobrevivência do setor depende disso.

    Transporte de Qualidade É Inclusão Social

    André Costa, da Motiva Trilhos, vai direto ao ponto: mobilidade é inclusão. Ele mostra como a expansão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM não só economiza tempo, mas abre portas para mais empregos, mais saúde, mais oportunidades.

    E reforça: os passageiros são parte essencial da melhoria do transporte. Quando respeitam as normas de segurança e civilidade, ajudam a construir uma experiência melhor para todos.

    Por isso, o projeto “Cidadão do Futuro” leva educação sobre mobilidade às escolas. Porque o transporte precisa sair das estações e entrar na vida das pessoas.

    Reforma Tributária: Fim da Concorrência Desleal

    Leticia Pineschi, porta-voz da Abrati, destaca que a nova reforma tributária (IBS e CBS) exige mais do que adaptação — exige evolução.

    Empresas regulares precisarão de estruturas de governança fiscal sólidas. Já os modelos irregulares perderão competitividade. É o início de uma nova era de compliance e justiça concorrencial.

    Editorial – O Passageiro Ainda Está Torrando na Calçada

    Alexandre Pelegi encerra o episódio com um alerta que todos precisamos ouvir.

    É ótimo ver mais ônibus elétricos circulando — mas de que adianta um veículo limpo, se o passageiro continua esperando sob o sol escaldante, sem sombra, sem abrigo, sem dignidade?

    A cidade precisa cuidar das pessoas, não apenas dos veículos. A professora Denise Duarte (FAU-USP) propõe soluções reais: transformar terminais em refúgios climáticos, despavimentar áreas seletivamente, trazer vida ao concreto.

    Porque não basta rodar limpo — é preciso viver bem.


    A mobilidade do futuro está sendo construída agora. E você faz parte disso.

    Acesse o episódio completo do Podcast do Transporte e veja como o setor está se reinventando — não só para reduzir emissões, mas para mover o Brasil com mais justiça, eficiência e humanidade.

    Ouça agora. Transforme a forma como você vê (e vive) o transporte.


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