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  • A experiência de Niege Chaves com a descarbonização: lições, fracassos e avanços

    A experiência de Niege Chaves com a descarbonização: lições, fracassos e avanços

    No mais recente episódio do Podcast do Transporte, a empresária Niege Chaves, da MobiBrasil, compartilha uma trajetória marcada por coragem, erros estratégicos e aprendizados profundos na busca por uma matriz energética mais limpa no transporte coletivo.

    Da aposta no etanol ao teste com gás natural, até a eletrificação em São Paulo, Niege fala com franqueza sobre o que funcionou, o que fracassou e o que precisa mudar para que a transição energética no Brasil deixe de ser promessa e se torne política de Estado.

    A principal conclusão? Descarbonizar o transporte público não é tarefa individual. É construção coletiva — entre poder público, operadores e sociedade.


    O que Niege Chaves sentiu na pele e no bolso na transição energética

    1️⃣ Etanol: entusiasmo inicial, fracasso anunciado

    A experiência da MobiBrasil com ônibus a etanol, iniciada em 2011 na cidade de São Paulo, nasceu sob forte expectativa ambiental. À época, o projeto era visto como alternativa concreta ao diesel, com redução significativa de emissões.

    Mas o que parecia promissor revelou fragilidades estruturais:

    • Forte variação no preço do combustível
    • Dependência de peças importadas
    • Baixa disponibilidade operacional
    • Mudança repentina na linha política da prefeitura

    Mesmo com ganhos ambientais relevantes, o modelo não se sustentou economicamente. Para Niege, o erro central foi implantar a tecnologia antes da maturidade técnica, da infraestrutura adequada e, principalmente, da consolidação de uma política pública estável.

    “O fracasso não foi da ideia ambiental. Foi da falta de planejamento conjunto”, resume.


    2️⃣ Transição energética só funciona com política pública e planejamento conjunto

    A grande lição do etanol, segundo a empresária, é clara: nenhuma matriz energética sobrevive sem continuidade política, escala e divisão de responsabilidades.

    Governos, órgãos gestores, operadores e sociedade precisam caminhar juntos. A descarbonização não pode depender de vontades momentâneas ou ciclos eleitorais.

    Hoje, a MobiBrasil testa ônibus a gás no Recife, com balanço inicial positivo. O desempenho operacional tem sido mais previsível, e a maturidade tecnológica já é superior à observada no ciclo do etanol.

    Mas Niege mantém cautela: qualquer tecnologia precisa estar inserida em um ecossistema de longo prazo.


    3️⃣ Eletrificação em São Paulo: projeto “atordoado”, mas sem volta

    A eletrificação da frota paulistana representa um novo capítulo — mais complexo e irreversível.

    Niege detalha os desafios enfrentados:

    • Proibição abrupta da renovação da frota a diesel em 2023
    • Envelhecimento de mais de 3 mil ônibus
    • Atrasos na homologação de veículos articulados e superarticulados
    • Limitações de infraestrutura elétrica nas garagens

    O processo, segundo ela, foi “atordoado”. Ainda assim, reconhece méritos no modelo adotado por São Paulo, especialmente no desenho financeiro e na lógica de financiamento dos ativos.

    Sua recomendação é pragmática:
    A transição precisa ser gradual, começando pelos veículos menores, acompanhada de investimento pesado em infraestrutura e capacitação técnica.

    Neste momento, a empresa avalia alternativas entre sistemas de armazenamento de energia (BESS) e ampliação da conexão em alta tensão — decisões que impactam diretamente o custo e a viabilidade do projeto.

    Apesar dos tropeços, Niege se declara otimista. Para ela, a eletrificação não tem volta. O desafio é torná-la sustentável econômica e operacionalmente.


    Editorial: a geração que sabe o que não quer

    Inspirado em uma frase atribuída a Clarice Lispector — “Não sei o que quero ser, mas sei o que não quero ser” — o editorial de Alexandre Pelegi provoca o setor de transporte a olhar para dentro.

    Segundo o especialista Ilo Lobel da Luz, a frase traduz o comportamento da geração Z no mercado de trabalho: rejeição a ambientes tóxicos, estruturas engessadas e promessas vazias de crescimento.

    O setor de transporte, historicamente associado à estabilidade e rotina, precisa entender que propósito, ambiente saudável e liderança inspiradora tornaram-se fatores determinantes para retenção de talentos.

    Talvez o apagão não seja de mão de obra — mas de escuta.


    Technibus: Volvo aposta em elétricos e biodiesel

    No bloco Technibus, Márcia Pinna entrevista Ricardo Seixas, novo diretor comercial de ônibus da Volvo Brasil.

    A empresa reforça seu compromisso com a descarbonização na América Latina apostando em duas frentes:

    • Ônibus elétricos
    • Biodiesel B100

    Recentemente, a Volvo entregou 21 chassis elétricos em Goiânia e anunciou que ainda este ano oferecerá a opção do biocombustível B100 no chassi urbano B320R, com potencial de reduzir em até 90% as emissões de CO₂.

    Para Seixas, o Brasil não precisa escolher uma tecnologia única, mas combinar soluções de acordo com a realidade de cada região.


    Abrati News: Ouro e Prata conecta 100% da frota via satélite

    A empresa Ouro e Prata passou a oferecer internet via satélite em 100% de sua frota com a tecnologia Opconecta.

    O sistema funciona inclusive em regiões sem cobertura de telefonia móvel, permitindo acesso contínuo a redes sociais, e-mails, streaming e ferramentas de trabalho. A velocidade pode chegar a 220 MB/s, com múltiplos acessos simultâneos.

    O projeto levou três anos de desenvolvimento e posiciona a empresa na vanguarda do atendimento ao passageiro conectado.


    Uma conclusão que vale para todo o setor

    A trajetória de Niege Chaves mostra que a transição energética é menos sobre tecnologia e mais sobre governança, previsibilidade e compromisso coletivo.

    Erros custam caro. Mas ignorar as lições custa ainda mais.

    E se há algo que essa geração de empresários já sabe, talvez seja isso: pode até não haver clareza absoluta sobre o modelo ideal — mas está cada vez mais claro o que não funciona mais.

    🎧 Ouça agora o episódio completo do Podcast do Transporte.

  • EP115 | COP30: Transportes Unidos Pela Descarbonização – Um Movimento que Já Começou

    O mais recente episódio do Podcast do Transporte traz uma mensagem poderosa: a transformação sustentável da mobilidade brasileira já está em curso – e vai com força total rumo à COP30 em Belém.

    Transporte terrestre, aéreo e marítimo se unem para apresentar uma agenda climática conjunta e ambiciosa. A Coalizão dos Transportes — uma aliança formada por empresas e entidades do setor — acaba de ganhar 69 novos membros, entre eles a MobiBrasil, que já coloca a sustentabilidade em prática no dia a dia.

    MobiBrasil: Sustentabilidade Além do Discurso

    Manuel Marinho, diretor da MobiBrasil, não deixa dúvidas: não há futuro sem responsabilidade ambiental. A empresa já opera com metas climáticas bem definidas, participa ativamente de fóruns técnicos e possui uma estrutura robusta voltada à sustentabilidade.

    Recentemente, resolveu de vez os desafios com a infraestrutura elétrica — agora, os 100 ônibus elétricos da frota estão em pleno funcionamento. E mais vem por aí: até dezembro, a garagem da Mobi em São Paulo estará pronta para receber mais 65 veículos elétricos.

    Esse compromisso vai além da operação — é uma escolha estratégica por um futuro limpo, justo e eficiente.

    Três Caminhos para Reduzir 60% das Emissões

    Miguel Setas, CEO da Motiva, apresenta de forma clara o que precisa ser feito:

    1. Expandir o uso de modais sustentáveis, como ferrovias e hidrovias.

    2. Dobrar o consumo de biocombustíveis até 2050.

    3. Acelerar a eletrificação das frotas.

    Ele ainda aponta o hidrogênio verde como a grande promessa para o transporte pesado. A boa notícia? As empresas estão finalmente equilibrando suas decisões entre lucro e impacto ambiental. É um novo paradigma.

    Fretamento 2025: Hora de Unir Forças

    Durante o maior evento do setor de fretamento, realizado em Foz do Iguaçu, ficou claro: o diálogo entre operadores e governo amadureceu — mas o caminho ainda tem obstáculos.

    Adamo Bazani e Milton Zanca, presidente da FRESP, destacam entraves como a lei do motorista, o uso obrigatório de biodiesel e os juros altos. A mensagem é direta: só com união o setor poderá avançar.

    Fretamento Precisa de Leis Justas

    Márcia Pinna entrevista Joel Bitencourt, assessor jurídico da FRESP, que faz um alerta: a legislação atual trata o fretamento como se fosse transporte de carga. E isso é um erro grave.

    Sem considerar as particularidades do setor — como jornadas fracionadas e descanso digno — muitas empresas correm risco de desaparecer. É hora de repensar as regras. A sobrevivência do setor depende disso.

    Transporte de Qualidade É Inclusão Social

    André Costa, da Motiva Trilhos, vai direto ao ponto: mobilidade é inclusão. Ele mostra como a expansão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM não só economiza tempo, mas abre portas para mais empregos, mais saúde, mais oportunidades.

    E reforça: os passageiros são parte essencial da melhoria do transporte. Quando respeitam as normas de segurança e civilidade, ajudam a construir uma experiência melhor para todos.

    Por isso, o projeto “Cidadão do Futuro” leva educação sobre mobilidade às escolas. Porque o transporte precisa sair das estações e entrar na vida das pessoas.

    Reforma Tributária: Fim da Concorrência Desleal

    Leticia Pineschi, porta-voz da Abrati, destaca que a nova reforma tributária (IBS e CBS) exige mais do que adaptação — exige evolução.

    Empresas regulares precisarão de estruturas de governança fiscal sólidas. Já os modelos irregulares perderão competitividade. É o início de uma nova era de compliance e justiça concorrencial.

    Editorial – O Passageiro Ainda Está Torrando na Calçada

    Alexandre Pelegi encerra o episódio com um alerta que todos precisamos ouvir.

    É ótimo ver mais ônibus elétricos circulando — mas de que adianta um veículo limpo, se o passageiro continua esperando sob o sol escaldante, sem sombra, sem abrigo, sem dignidade?

    A cidade precisa cuidar das pessoas, não apenas dos veículos. A professora Denise Duarte (FAU-USP) propõe soluções reais: transformar terminais em refúgios climáticos, despavimentar áreas seletivamente, trazer vida ao concreto.

    Porque não basta rodar limpo — é preciso viver bem.


    A mobilidade do futuro está sendo construída agora. E você faz parte disso.

    Acesse o episódio completo do Podcast do Transporte e veja como o setor está se reinventando — não só para reduzir emissões, mas para mover o Brasil com mais justiça, eficiência e humanidade.

    Ouça agora. Transforme a forma como você vê (e vive) o transporte.


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