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  • Em Londres ou na Bélgica, objetivo é sempre melhorar a experiência do transporte

    Em Londres ou na Bélgica, objetivo é sempre melhorar a experiência do transporte

    O transporte público de qualidade não surge por acaso. Ele é resultado de decisões consistentes, investimentos de longo prazo e uma visão clara sobre o papel da mobilidade nas cidades. No novo episódio do Podcast do Transporte, duas viagens internacionais — à Bélgica e a Londres — ajudam a entender como tecnologia, identidade e estratégia moldam sistemas que, apesar de imperfeitos, funcionam.

    Entre entrevistas exclusivas, análises de mercado e reflexões sobre políticas públicas, o episódio conecta experiências globais com desafios brasileiros, mostrando que o caminho para melhorar o transporte passa menos por soluções imediatistas e mais por continuidade.


    PRODATA: da Bélgica e Brasil para o mundo

    A história da Prodata começa nos anos 1970, quando o engenheiro belga Franky Carbonez decidiu enfrentar gigantes da tecnologia para transformar a forma como sistemas de bilhetagem funcionavam.

    Décadas depois, a empresa se consolidou como uma referência global no setor. Em visita à sede da companhia em Zaventem, o jornalista Alexandre Pelegi explorou como a Prodata construiu sua expansão internacional e por que a aquisição da MaisMobi faz parte de uma estratégia mais ampla.

    A lógica é clara: integrar mercados, ampliar soluções e antecipar tendências. Em um setor cada vez mais digital, a bilhetagem deixou de ser apenas um meio de cobrança e passou a ser parte central da experiência do usuário.


    LONDRES: o orgulho pelo transporte público

    Poucas cidades no mundo têm uma relação tão intensa com seu transporte público quanto Londres. Mesmo com críticas frequentes, existe um sentimento coletivo de pertencimento em relação ao sistema operado pela Transport for London.

    Na entrevista com Matt Brown, diretor de Comunicação da entidade, surge uma questão intrigante: por que os londrinos defendem o transporte público mesmo quando reclamam dele?

    Parte da resposta está na identidade. O sistema não é visto apenas como um serviço, mas como um elemento essencial da cidade. A participação do vice-presidente da ANTP, Claudio de Senna Frederico, aprofunda o debate ao abordar a disputa emocional entre transporte coletivo e carro particular — um dilema presente também no Brasil.


    BIOMETANO: aposta da Scania para 2027

    A transição energética no transporte coletivo avança, e o biometano aparece como uma alternativa promissora. A Scania projeta crescimento significativo dessa tecnologia nos próximos anos.

    Segundo análises apresentadas por Márcia Pinna e explicações de Alex Nucci, cidades como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro já aceleram a adoção. A expectativa é que 2026 seja um período de preparação, com 2027 marcando uma expansão mais robusta do mercado.

    A aposta no biometano combina redução de emissões com viabilidade operacional — um fator decisivo para sistemas urbanos que precisam equilibrar sustentabilidade e custo.


    CAMINHO DA ESCOLA: o edital que mexe com o mercado

    O relançamento do programa Caminho da Escola traz impacto direto para a indústria de ônibus no Brasil. O novo edital prevê a aquisição de 7.470 veículos, reacendendo a movimentação no setor.

    O jornalista Adamo Bazani destaca mudanças técnicas, prazos apertados e efeitos imediatos no mercado, incluindo reflexos nas ações da Marcopolo.

    Mais do que números, o programa representa uma das maiores iniciativas de renovação de frota escolar do país — e um teste importante para a capacidade de resposta da indústria.


    ABRATI News: o clandestino que migrou para a internet

    O transporte clandestino ganhou uma nova forma. Deixou as rodoviárias e passou a operar em aplicativos e redes sociais, muitas vezes com perfis falsos.

    O alerta vem de Leticia Pineschi, da ABRATI, que aponta o aumento dos riscos para passageiros e a dificuldade de fiscalização.

    A digitalização, nesse caso, não trouxe apenas eficiência — também ampliou desafios regulatórios e de segurança, exigindo respostas mais rápidas das autoridades.


    Editorial – Londres e o que o Brasil ainda não faz

    A visita à sede da Transport for London inspira uma reflexão inevitável: o que diferencia sistemas que funcionam daqueles que permanecem travados?

    A resposta não está em soluções rápidas. Londres mostra que consistência, segurança e decisões difíceis, mantidas ao longo do tempo, são os pilares de um transporte eficiente.

    Políticas públicas que sobrevivem a governos, planejamento contínuo e foco na experiência do usuário formam a base de um sistema confiável. É uma lição direta para o Brasil, onde avanços muitas vezes se perdem na descontinuidade.

    No fim, seja em Zaventem ou em Londres, o objetivo é o mesmo: melhorar a experiência de quem depende do transporte todos os dias. A diferença está em como — e por quanto tempo — se sustenta esse compromisso.