Tag: eletrificação no México

  • EP 165 — O que México e Chile têm a ensinar sobre eletrificação — e uma experiência de sucesso no Brasil

    EP 165 — O que México e Chile têm a ensinar sobre eletrificação — e uma experiência de sucesso no Brasil

    EP 165 do Podcast do Transporte mostra como Santiago e Cidade do México estruturaram a adoção de ônibus elétricos e apresenta a experiência de uma operadora paulistana que aposta na tecnologia para recuperar passageiros

    A eletrificação do transporte público avança em diferentes ritmos na América Latina, mas as experiências de México, Chile e Brasil mostram que a transição depende de muito mais do que colocar ônibus elétricos nas ruas.

    Infraestrutura de recarga, financiamento, planejamento de longo prazo, manutenção, relação com fornecedores e políticas públicas são alguns dos elementos necessários para que a tecnologia consiga ganhar escala.

    Esses caminhos são apresentados no EP 165 do Podcast do Transporte, que reúne especialistas convidados pela UITP para a LAT.BUS 2026 e mostra experiências de Santiago, Cidade do México e São Paulo.

    O episódio também acompanha novidades apresentadas durante a feira, estudos relacionados à operação do transporte coletivo e uma reflexão sobre a importância de preservar a memória do setor.

    Cidade do México avança com eletrificação do Metrobús

    Na capital mexicana, a introdução dos ônibus elétricos ganhou força a partir de uma decisão política acompanhada pela estruturação do modelo operacional.

    Nicolás Pallares, do Metrobús-México, explica que a eletrificação avançou rapidamente e alcançou cerca de 90 ônibus elétricos.

    O sistema Metrobús possui sete linhas de BRT distribuídas por aproximadamente 175 quilômetros de corredores e opera uma frota próxima de 900 veículos.

    Para Pallares, dois desafios são determinantes para a expansão da tecnologia: a existência de regras governamentais claras para a operação e o acesso a financiamento sustentável.

    A questão financeira ganha importância principalmente porque a eletrificação precisa ser planejada considerando todo o período das concessões.

    Não se trata apenas do investimento inicial nos ônibus. Infraestrutura elétrica, carregadores, manutenção e evolução tecnológica também precisam entrar nessa equação.

    Santiago transforma ônibus elétricos em parte central da operação

    No Chile, Santiago percorreu um caminho ainda mais acelerado.

    Segundo Diego Fuentes, da MetBus, a operação começou em 2017 com apenas dois ônibus elétricos.

    Atualmente, a capital chilena conta com aproximadamente 4.400 veículos elétricos, que representam cerca de 68% da frota de transporte coletivo.

    A MetBus, uma das principais operadoras da cidade, possui aproximadamente 950 ônibus elétricos em circulação.

    O crescimento da frota trouxe também novos aprendizados.

    Entre os resultados destacados por Fuentes está a forte aceitação dos passageiros ao novo padrão de transporte. Mas a experiência chilena também mostrou a importância de uma boa estrutura de pós-venda.

    Quando centenas de veículos elétricos passam a integrar a operação diária, disponibilidade de peças, suporte técnico e capacidade de manutenção tornam-se elementos decisivos para garantir a continuidade do serviço.

    Santiago demonstra, assim, que a eletrificação precisa ser tratada como um sistema completo e não apenas como uma troca de tecnologia veicular.

    Em São Paulo, elétricos ajudam operadora a recuperar passageiros

    O episódio também apresenta uma experiência brasileira.

    A equipe do Podcast do Transporte acompanhou a operação da Auto Bless, em São Paulo, empresa que trabalha com a perspectiva de eletrificar toda a sua frota até o final do ano.

    Valter Bispo, da Auto Bless, explica que um dos principais obstáculos encontrados foi a infraestrutura de energia disponível para atender à operação.

    Para contornar as limitações, a empresa passou a trabalhar com cargas de oportunidade e sistemas BESS — Battery Energy Storage System, capazes de armazenar energia para posterior utilização.

    A solução permite maior flexibilidade para organizar as recargas e reduz a dependência da disponibilidade imediata da rede elétrica.

    Bispo também relata benefícios operacionais, como menor incidência de quebras e maior conforto para os motoristas.

    Mas outro resultado chama atenção.

    Segundo o representante da operadora, aproximadamente 600 mil passageiros retornaram ao transporte coletivo, movimento que a empresa relaciona à melhoria da experiência proporcionada pela nova frota.

    O caso mostra uma dimensão importante da eletrificação: além da redução de emissões e dos ganhos operacionais, ônibus mais silenciosos e confortáveis podem contribuir para melhorar a percepção dos usuários sobre o transporte público.

    LAT.BUS evidencia evolução da indústria brasileira de ônibus

    A indústria também ocupa espaço no EP 165.

    Márcia Pinna, da revista Technibus, apresenta a avaliação da Busscar após a participação na LAT.BUS 2026.

    A fabricante destacou a recepção aos modelos El Buss FT, 325 e 325L, apresentados durante a feira.

    Segundo Pinna, visitantes internacionais também demonstraram interesse pela evolução dos produtos e pelos projetos desenvolvidos pela fabricante.

    A LAT.BUS tornou-se um ambiente importante não apenas para lançamentos, mas para aproximar fabricantes brasileiros de operadores, fornecedores e representantes de diferentes mercados da América Latina.

    Esse intercâmbio ocorre justamente em um momento no qual o ônibus passa por profundas transformações, incorporando novas tecnologias de propulsão, conectividade, sistemas eletrônicos e recursos voltados à eficiência operacional.

    Reputação das empresas também influencia a atração de passageiros

    Tecnologia não é o único fator determinante para o futuro do transporte coletivo.

    Adamo Bazani, do Diário do Transporte, comenta no episódio estudos relacionados à remuneração dos motoristas e à importância da reputação das empresas.

    Em um setor que enfrenta dificuldades para contratar profissionais e recuperar demanda, a percepção construída pelas empresas junto a trabalhadores e passageiros pode ter influência crescente sobre os resultados da operação.

    A discussão reforça que a recuperação do transporte público passa também pela qualidade do serviço e pela relação das operadoras com quem trabalha e utiliza diariamente os sistemas.

    Padrões abertos podem ampliar integração na bilhetagem

    Outro tema abordado é a defesa da UITP por padrões abertos nos sistemas de bilhetagem.

    A interoperabilidade pode permitir maior integração entre diferentes operadores, modais e plataformas de mobilidade.

    Sistemas mais abertos também podem diminuir a dependência de soluções proprietárias e facilitar a incorporação de novas tecnologias ao longo do tempo.

    Em um transporte cada vez mais conectado, a discussão sobre padrões tecnológicos torna-se tão relevante quanto a evolução dos próprios veículos.

    Eletrificação exige planejamento além dos veículos

    México, Chile e Brasil estão em estágios diferentes de eletrificação, mas as experiências apresentadas no EP 165 revelam desafios semelhantes.

    No México, o debate envolve regras claras e financiamento.

    No Chile, a escala alcançada exige uma estrutura sólida de manutenção e pós-venda.

    Em São Paulo, as limitações da infraestrutura levaram à busca por novas formas de armazenamento e gerenciamento da energia.

    Esses exemplos mostram que a transição energética depende de um ecossistema que envolve veículos, energia, carregadores, garagens, baterias, fornecedores, financiamento e planejamento operacional.

    O sucesso da eletrificação está justamente na capacidade de integrar todos esses elementos.

    Preservar a memória para não repetir os mesmos debates

    No editorial do episódio, Alexandre Pelegi propõe uma reflexão sobre a memória do transporte público brasileiro.

    Muitos dos problemas discutidos atualmente pelo setor já faziam parte de debates realizados décadas atrás.

    Financiamento, qualidade do serviço, prioridade ao transporte coletivo e planejamento aparecem repetidamente na história da mobilidade brasileira.

    Recuperar documentos, experiências e discussões do passado pode ajudar novas gerações de profissionais a compreenderem como determinadas questões surgiram e quais soluções já foram experimentadas.

    Preservar essa memória significa evitar que o setor precise começar novamente do zero a cada geração.

    📌 Conteúdo do Diário do Transporte, da OTM Editora e da ANTP.

    Produção: Toda Onda
    Direção: Luiz Henrique Romagnoli
    Edição geral: Alexandre Pelegi