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  • Recuperar passageiros é mais sustentável que eletrificar a frota do país, diz Semove

    Recuperar passageiros é mais sustentável que eletrificar a frota do país, diz Semove

    O novo episódio do Podcast do Transporte coloca no centro do debate um ponto crucial para o futuro da mobilidade urbana: descarbonizar é importante, mas recuperar passageiros pode ser ainda mais estratégico. A afirmação é de Richele Cabral, diretora da Semove, que apresentou dados contundentes sobre o impacto da perda de demanda no Estado do Rio de Janeiro.

    Recuperar passageiros no RJ = eletrificar toda a frota do Brasil

    Durante debates sobre descarbonização promovidos pelo Detro, Richele revelou um dado emblemático: se o Rio de Janeiro recuperasse a demanda perdida no transporte intermunicipal, o impacto ambiental seria equivalente à eletrificação de toda a frota de ônibus do país.

    A mensagem é direta: sustentabilidade começa com eficiência operacional. Não basta trocar o combustível se o sistema continuar perdendo usuários. Como ela resume, ônibus elétrico parado no congestionamento “não resolve nada”.

    O que o passageiro realmente quer? Tempo de viagem

    Estudos da NTU e da COPPE/UFRJ mostram que, embora a descarbonização seja relevante, ela não aparece entre as cinco principais prioridades do usuário. O fator decisivo para quem abandonou o ônibus é o tempo de deslocamento.

    As pesquisas indicam ainda que 70% dos usuários de motocicleta voltariam ao transporte coletivo se a viagem fosse mais rápida. O dado reforça a importância de políticas como faixas exclusivas, corredores estruturados e prioridade semafórica — medidas que tornam o ônibus competitivo frente ao transporte individual.

    Rio perdeu metade dos passageiros em 10 anos

    O sistema intermunicipal do Rio de Janeiro encolheu cerca de 50% na última década. A queda na demanda foi acompanhada pela redução proporcional da frota, da oferta e da quilometragem, gerando um ciclo de deterioração do serviço.

    O resultado foi uma migração consistente para carro, moto e aplicativos de transporte — alternativas mais poluentes, menos eficientes do ponto de vista coletivo e que ampliam congestionamentos e emissões.

    Faixas exclusivas enfrentam resistência — mas beneficiam mais gente

    Segundo Richele, a resistência às faixas exclusivas parte, em grande medida, de quem não utiliza o transporte coletivo, mas exerce forte influência na opinião pública. O argumento central é simples: um ônibus transporta entre 40 e 50 pessoas, enquanto um carro leva, em média, uma ou duas.

    Garantir prioridade ao ônibus significa beneficiar um número muito maior de cidadãos com o mesmo espaço viário. Superar esse preconceito é passo fundamental para tornar a mobilidade urbana mais eficiente e sustentável.

    Indústria avança em múltiplas tecnologias

    No episódio, Márcia Pinna, da Technibus, entrevista Ricardo Portolan, diretor da Marcopolo. Ele confirma que a indústria nacional amplia seu portfólio de tecnologias sustentáveis.

    Em 2026 começam as entregas dos primeiros ônibus a biometano. Modelos híbridos elétrico-etanol entram em operação assistida, enquanto projetos com hidrogênio seguem em desenvolvimento. Para Portolan, o caminho não é apostar em uma única solução energética, mas diversificar.

    ABC paulista mostra que ouvir o passageiro funciona

    O jornalista Adamo Bazani apresenta o case do Circular da Saúde, em Santo André, no ABC paulista. A linha foi criada a partir de dados de bilhetagem, pedidos da população e roteirização inteligente.

    O serviço aplica conceitos de transporte sob demanda dentro do sistema regular e alcançou 91% de aprovação, segundo o Instituto Paraná Pesquisas. O resultado é aumento contínuo da demanda e uma lição objetiva: para atrair passageiros, é preciso atender às suas necessidades reais.

    Abrati News

    A ANTT vai atualizar as normas do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), alinhando-as à legislação vigente, com diretrizes sobre tempo de espera, atendimento humano, acessibilidade e tratamento das demandas.

    A consulta pública já está aberta, e a sessão híbrida — presencial e online — acontece no dia 3 de março, em Brasília.

    Depoimento LatBus – Nansen

    O episódio traz ainda o depoimento de Denner Andrade, gerente de contas da Nansen, que confirmou a presença da empresa na LatBus 2026. Segundo ele, o evento é estratégico para o setor e reunirá as principais empresas do mercado.


    🎧 Ouça agora o Podcast do Transporte e entenda por que recuperar passageiros pode ser a medida mais sustentável — econômica, ambiental e socialmente — para o futuro da mobilidade urbana no Brasil.

  • EP115 | COP30: Transportes Unidos Pela Descarbonização – Um Movimento que Já Começou

    O mais recente episódio do Podcast do Transporte traz uma mensagem poderosa: a transformação sustentável da mobilidade brasileira já está em curso – e vai com força total rumo à COP30 em Belém.

    Transporte terrestre, aéreo e marítimo se unem para apresentar uma agenda climática conjunta e ambiciosa. A Coalizão dos Transportes — uma aliança formada por empresas e entidades do setor — acaba de ganhar 69 novos membros, entre eles a MobiBrasil, que já coloca a sustentabilidade em prática no dia a dia.

    MobiBrasil: Sustentabilidade Além do Discurso

    Manuel Marinho, diretor da MobiBrasil, não deixa dúvidas: não há futuro sem responsabilidade ambiental. A empresa já opera com metas climáticas bem definidas, participa ativamente de fóruns técnicos e possui uma estrutura robusta voltada à sustentabilidade.

    Recentemente, resolveu de vez os desafios com a infraestrutura elétrica — agora, os 100 ônibus elétricos da frota estão em pleno funcionamento. E mais vem por aí: até dezembro, a garagem da Mobi em São Paulo estará pronta para receber mais 65 veículos elétricos.

    Esse compromisso vai além da operação — é uma escolha estratégica por um futuro limpo, justo e eficiente.

    Três Caminhos para Reduzir 60% das Emissões

    Miguel Setas, CEO da Motiva, apresenta de forma clara o que precisa ser feito:

    1. Expandir o uso de modais sustentáveis, como ferrovias e hidrovias.

    2. Dobrar o consumo de biocombustíveis até 2050.

    3. Acelerar a eletrificação das frotas.

    Ele ainda aponta o hidrogênio verde como a grande promessa para o transporte pesado. A boa notícia? As empresas estão finalmente equilibrando suas decisões entre lucro e impacto ambiental. É um novo paradigma.

    Fretamento 2025: Hora de Unir Forças

    Durante o maior evento do setor de fretamento, realizado em Foz do Iguaçu, ficou claro: o diálogo entre operadores e governo amadureceu — mas o caminho ainda tem obstáculos.

    Adamo Bazani e Milton Zanca, presidente da FRESP, destacam entraves como a lei do motorista, o uso obrigatório de biodiesel e os juros altos. A mensagem é direta: só com união o setor poderá avançar.

    Fretamento Precisa de Leis Justas

    Márcia Pinna entrevista Joel Bitencourt, assessor jurídico da FRESP, que faz um alerta: a legislação atual trata o fretamento como se fosse transporte de carga. E isso é um erro grave.

    Sem considerar as particularidades do setor — como jornadas fracionadas e descanso digno — muitas empresas correm risco de desaparecer. É hora de repensar as regras. A sobrevivência do setor depende disso.

    Transporte de Qualidade É Inclusão Social

    André Costa, da Motiva Trilhos, vai direto ao ponto: mobilidade é inclusão. Ele mostra como a expansão das linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM não só economiza tempo, mas abre portas para mais empregos, mais saúde, mais oportunidades.

    E reforça: os passageiros são parte essencial da melhoria do transporte. Quando respeitam as normas de segurança e civilidade, ajudam a construir uma experiência melhor para todos.

    Por isso, o projeto “Cidadão do Futuro” leva educação sobre mobilidade às escolas. Porque o transporte precisa sair das estações e entrar na vida das pessoas.

    Reforma Tributária: Fim da Concorrência Desleal

    Leticia Pineschi, porta-voz da Abrati, destaca que a nova reforma tributária (IBS e CBS) exige mais do que adaptação — exige evolução.

    Empresas regulares precisarão de estruturas de governança fiscal sólidas. Já os modelos irregulares perderão competitividade. É o início de uma nova era de compliance e justiça concorrencial.

    Editorial – O Passageiro Ainda Está Torrando na Calçada

    Alexandre Pelegi encerra o episódio com um alerta que todos precisamos ouvir.

    É ótimo ver mais ônibus elétricos circulando — mas de que adianta um veículo limpo, se o passageiro continua esperando sob o sol escaldante, sem sombra, sem abrigo, sem dignidade?

    A cidade precisa cuidar das pessoas, não apenas dos veículos. A professora Denise Duarte (FAU-USP) propõe soluções reais: transformar terminais em refúgios climáticos, despavimentar áreas seletivamente, trazer vida ao concreto.

    Porque não basta rodar limpo — é preciso viver bem.


    A mobilidade do futuro está sendo construída agora. E você faz parte disso.

    Acesse o episódio completo do Podcast do Transporte e veja como o setor está se reinventando — não só para reduzir emissões, mas para mover o Brasil com mais justiça, eficiência e humanidade.

    Ouça agora. Transforme a forma como você vê (e vive) o transporte.


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