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  • Em Londres ou na Bélgica, objetivo é sempre melhorar a experiência do transporte

    Em Londres ou na Bélgica, objetivo é sempre melhorar a experiência do transporte

    O transporte público de qualidade não surge por acaso. Ele é resultado de decisões consistentes, investimentos de longo prazo e uma visão clara sobre o papel da mobilidade nas cidades. No novo episódio do Podcast do Transporte, duas viagens internacionais — à Bélgica e a Londres — ajudam a entender como tecnologia, identidade e estratégia moldam sistemas que, apesar de imperfeitos, funcionam.

    Entre entrevistas exclusivas, análises de mercado e reflexões sobre políticas públicas, o episódio conecta experiências globais com desafios brasileiros, mostrando que o caminho para melhorar o transporte passa menos por soluções imediatistas e mais por continuidade.


    PRODATA: da Bélgica e Brasil para o mundo

    A história da Prodata começa nos anos 1970, quando o engenheiro belga Franky Carbonez decidiu enfrentar gigantes da tecnologia para transformar a forma como sistemas de bilhetagem funcionavam.

    Décadas depois, a empresa se consolidou como uma referência global no setor. Em visita à sede da companhia em Zaventem, o jornalista Alexandre Pelegi explorou como a Prodata construiu sua expansão internacional e por que a aquisição da MaisMobi faz parte de uma estratégia mais ampla.

    A lógica é clara: integrar mercados, ampliar soluções e antecipar tendências. Em um setor cada vez mais digital, a bilhetagem deixou de ser apenas um meio de cobrança e passou a ser parte central da experiência do usuário.


    LONDRES: o orgulho pelo transporte público

    Poucas cidades no mundo têm uma relação tão intensa com seu transporte público quanto Londres. Mesmo com críticas frequentes, existe um sentimento coletivo de pertencimento em relação ao sistema operado pela Transport for London.

    Na entrevista com Matt Brown, diretor de Comunicação da entidade, surge uma questão intrigante: por que os londrinos defendem o transporte público mesmo quando reclamam dele?

    Parte da resposta está na identidade. O sistema não é visto apenas como um serviço, mas como um elemento essencial da cidade. A participação do vice-presidente da ANTP, Claudio de Senna Frederico, aprofunda o debate ao abordar a disputa emocional entre transporte coletivo e carro particular — um dilema presente também no Brasil.


    BIOMETANO: aposta da Scania para 2027

    A transição energética no transporte coletivo avança, e o biometano aparece como uma alternativa promissora. A Scania projeta crescimento significativo dessa tecnologia nos próximos anos.

    Segundo análises apresentadas por Márcia Pinna e explicações de Alex Nucci, cidades como São Paulo, Curitiba e Rio de Janeiro já aceleram a adoção. A expectativa é que 2026 seja um período de preparação, com 2027 marcando uma expansão mais robusta do mercado.

    A aposta no biometano combina redução de emissões com viabilidade operacional — um fator decisivo para sistemas urbanos que precisam equilibrar sustentabilidade e custo.


    CAMINHO DA ESCOLA: o edital que mexe com o mercado

    O relançamento do programa Caminho da Escola traz impacto direto para a indústria de ônibus no Brasil. O novo edital prevê a aquisição de 7.470 veículos, reacendendo a movimentação no setor.

    O jornalista Adamo Bazani destaca mudanças técnicas, prazos apertados e efeitos imediatos no mercado, incluindo reflexos nas ações da Marcopolo.

    Mais do que números, o programa representa uma das maiores iniciativas de renovação de frota escolar do país — e um teste importante para a capacidade de resposta da indústria.


    ABRATI News: o clandestino que migrou para a internet

    O transporte clandestino ganhou uma nova forma. Deixou as rodoviárias e passou a operar em aplicativos e redes sociais, muitas vezes com perfis falsos.

    O alerta vem de Leticia Pineschi, da ABRATI, que aponta o aumento dos riscos para passageiros e a dificuldade de fiscalização.

    A digitalização, nesse caso, não trouxe apenas eficiência — também ampliou desafios regulatórios e de segurança, exigindo respostas mais rápidas das autoridades.


    Editorial – Londres e o que o Brasil ainda não faz

    A visita à sede da Transport for London inspira uma reflexão inevitável: o que diferencia sistemas que funcionam daqueles que permanecem travados?

    A resposta não está em soluções rápidas. Londres mostra que consistência, segurança e decisões difíceis, mantidas ao longo do tempo, são os pilares de um transporte eficiente.

    Políticas públicas que sobrevivem a governos, planejamento contínuo e foco na experiência do usuário formam a base de um sistema confiável. É uma lição direta para o Brasil, onde avanços muitas vezes se perdem na descontinuidade.

    No fim, seja em Zaventem ou em Londres, o objetivo é o mesmo: melhorar a experiência de quem depende do transporte todos os dias. A diferença está em como — e por quanto tempo — se sustenta esse compromisso.

  • Transport Ticketing Global: Brasil se destaca na maior feira de bilhetagem do mundo

    Transport Ticketing Global: Brasil se destaca na maior feira de bilhetagem do mundo

    O Brasil ganhou protagonismo na mais recente edição da Transport Ticketing Global, realizada em Londres, consolidando-se como um dos países mais dinâmicos na evolução tecnológica da mobilidade urbana. A cobertura especial apresentada por Alexandre Pelegi no Podcast do Transporte revelou não apenas uma premiação inédita para o país, mas também uma série de cases nacionais que chamaram a atenção do mercado global.

    O evento, considerado o principal ponto de encontro mundial do setor de bilhetagem eletrônica, evidenciou uma tendência clara: a digitalização acelerada dos sistemas e a busca por integração total entre modais. Nesse cenário, o Brasil deixou de ser apenas observador e passou a ocupar posição de destaque, tanto pela inovação quanto pela escala de suas operações.


    Portugal avança para bilhetagem unificada

    Enquanto isso, a Europa segue avançando em integração. Portugal se prepara para implementar um sistema de bilhetagem unificada em todo o território nacional, inspirado nos modelos já consolidados em Lisboa e Porto, onde um único cartão permite o acesso a diferentes meios de transporte.

    Segundo Nuno Neves de Souza, a iniciativa tem forte alinhamento com metas de descarbonização e conta com apoio da União Europeia. A proposta reforça uma tendência global: simplificar a experiência do usuário e incentivar o transporte coletivo por meio da integração tarifária e operacional.


    Dinamarca moderniza sistema com novos validadores

    No norte da Europa, a Rejsekort avança na modernização de sua infraestrutura com a implantação do Basis Card, validador físico desenvolvido pela Prodata. A solução substitui equipamentos antigos e mantém uma alternativa acessível para usuários que não utilizam smartphones.

    A migração já atende cerca de 70% dos passageiros e deve ser concluída em breve, em um sistema que movimenta mais de 400 mil viagens diárias. A inovação também despertou interesse internacional: representantes da Noruega acompanharam demonstrações da tecnologia durante a feira em Londres.


    Autopass leva prêmio internacional com o Jaé

    O grande momento brasileiro no evento veio com a vitória da Autopass no Transport Ticketing Awards. O sistema JAÉ, implantado no Rio de Janeiro, conquistou a categoria de Bilhetagem Integrada Regional — um feito inédito para uma empresa totalmente nacional.

    Baseado no modelo Account-Based Ticketing (ABT), o JAÉ se destaca pela digitalização e flexibilidade, permitindo que o usuário utilize diferentes meios de pagamento sem depender exclusivamente de cartões físicos. A conquista coloca o Brasil definitivamente no mapa da inovação global em mobilidade.


    Rio de Janeiro busca interoperabilidade

    Apesar dos avanços, desafios persistem. A Prefeitura do Rio reconhece que a interoperabilidade entre sistemas ainda é o principal obstáculo. Hoje, o uso de mais de um cartão para diferentes modais gera desconforto para os passageiros.

    De acordo com o subsecretário Lauro Silvestre, a integração metropolitana é o próximo passo essencial. Já o CEO da Autopass, Bruno Berezin, afirma que a tecnologia necessária já está disponível — faltam decisões institucionais e investimentos para viabilizar a conexão entre sistemas.


    Comil aposta no fretamento com novos modelos

    No setor de transporte rodoviário, a Comil apresentou novos veículos voltados ao fretamento em evento realizado em Erechim. A estratégia reforça a aposta em um segmento que cresce com a demanda por soluções corporativas e transporte sob demanda.

    Segundo o diretor Thiago Zanetti, mais de 200 unidades já haviam sido comercializadas antes mesmo do lançamento oficial. O presidente Deoclécio Corradi também relembrou a trajetória da empresa, destacando a aquisição feita de forma quase acidental anos atrás — hoje consolidada como um case de sucesso industrial.


    Editorial: o transporte público precisa se reinventar

    Na análise editorial, Alexandre Pelegi aponta um cenário preocupante: o transporte público perdeu protagonismo na mobilidade urbana brasileira, enquanto carros e motocicletas avançam rapidamente.

    Para reverter essa tendência, não basta recuperar modelos do passado. É necessário reinventar o sistema com foco em qualidade, integração e inteligência operacional. O passageiro atual exige conveniência, previsibilidade e experiência digital — fatores que já moldam os sistemas mais avançados do mundo.

    O futuro da mobilidade, portanto, passa por inovação contínua, decisões estratégicas e uma mudança de mentalidade: mais do que transportar pessoas, é preciso disputar sua preferência.


    🎧 Novos episódios do Podcast do Transporte são publicados toda quarta-feira no Spotify e nas principais plataformas.

  • Reforma tributária acende alerta no transporte de passageiros

    Reforma tributária acende alerta no transporte de passageiros

    NTU e ABRATI acompanham regulamentação e apontam riscos e oportunidades para o setor

    A reforma tributária brasileira entra em uma fase decisiva de regulamentação e já mobiliza o setor de transporte de passageiros. Entidades representativas como a NTU e a ABRATI estão atentas aos desdobramentos para garantir que o novo sistema preserve a sustentabilidade dos serviços urbanos e rodoviários, mantendo equilíbrio concorrencial, transparência e segurança jurídica para empresas e usuários.

    NTU: isenção sem crédito compromete a neutralidade

    Segundo Marcos Bicalho, diretor de Gestão da NTU, o modelo atual previsto na reforma traz um ponto crítico: embora o transporte urbano seja isento de IBS e CBS, as empresas não poderão recuperar créditos dos tributos embutidos em insumos essenciais, como veículos, pneus e diesel.

    Na prática, isso quebra o princípio de neutralidade tributária — um dos pilares da reforma — e pode gerar distorções relevantes no setor. A NTU busca uma solução administrativa junto ao Ministério da Fazenda, mas não descarta levar a discussão ao Congresso Nacional ou até ao Judiciário, caso necessário.

    Vale-Transporte: benefício fiscal precisa ser preservado

    Outro ponto de atenção levantado pela NTU é o futuro do Vale-Transporte. Atualmente, empresas que adquirem o benefício podem se creditar de PIS/Cofins, o que incentiva o uso formal do sistema.

    A entidade defende que essa lógica seja mantida no novo modelo com IBS e CBS. Sem essa preservação, há risco de aumento de práticas irregulares, como o pagamento em dinheiro, o que enfraquece o sistema e reduz a transparência.

    ABRATI: mais transparência e combate ao clandestino

    A ABRATI, representada pela tributarista Angélica Lopes, avalia que a reforma pode trazer avanços importantes. Um deles é a maior transparência, já que os tributos IBS e CBS serão destacados “por fora” da tarifa, permitindo melhor compreensão dos custos.

    Outro ponto positivo é a digitalização do sistema tributário, que tende a dificultar a atuação de operadores clandestinos e fortalecer empresas que atuam dentro da legalidade. Ainda assim, a entidade reforça a necessidade de garantir neutralidade na carga tributária e orienta as empresas a se prepararem para o período de transição, que se estende até 2027.

    Tarifa zero e impacto no orçamento das famílias

    A especialista Márcia Pinna destaca dados relevantes sobre o peso do transporte no orçamento familiar. Pesquisa realizada no Distrito Federal indica que famílias de baixa renda comprometem entre 25% e 37% da renda com deslocamento.

    O programa Vai de Graça, que registrou aumento de até 70% no número de passageiros em domingos e feriados, evidencia que a redução ou eliminação da tarifa amplia o acesso à mobilidade e reduz desigualdades — desde que acompanhada por oferta adequada de cobertura, frequência e qualidade.

    Plano do Clima: metas ambientais e inovação

    No campo ambiental, o Plano do Clima Brasileiro 2035 estabelece metas ambiciosas para o transporte de passageiros. Entre as diretrizes estão:

    • Prioridade para sistemas sobre trilhos
    • Expansão de corredores de alta capacidade
    • Adoção de tecnologias limpas

    Um dos destaques é o retrofit ecológico, que permite a conversão de ônibus a diesel em veículos elétricos — alternativa considerada viável para acelerar a transição energética. A meta é reduzir em 42% as emissões do setor até 2035.

    Tendências globais: bilhetagem e mobilidade inteligente

    Direto de Londres, Alexandre Pelegi traz insights da Transport Ticketing Global 2026, um dos principais eventos mundiais do setor. Entre as tendências destacadas estão:

    • Uso crescente de inteligência artificial
    • Pagamentos em modelo Open Loop
    • Bilhetagem baseada em conta (ABT)
    • Integração por dados abertos

    Essas inovações estão redesenhando a forma como bilhões de passageiros acessam e pagam pelo transporte, promovendo maior integração entre modais e eficiência operacional. Empresas brasileiras já acompanham de perto essas transformações.


    Ouça agora

    O podcast é uma iniciativa do Diário do Transporte em parceria com a Technibus/OTM Editora e a ANTP, com produção da Toda Onda, direção de Luiz Henrique Romagnoli e edição geral de Alexandre Pelegi.

  • Enfim reaberta a Janela Extraordinária da ANTT com mais de 70 mil pedidos. Especialista prevê até 80% de desistências

    Enfim reaberta a Janela Extraordinária da ANTT com mais de 70 mil pedidos. Especialista prevê até 80% de desistências

    Especialista prevê até 80% de desistências

    A reabertura da chamada Janela Extraordinária da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) marca um dos momentos mais decisivos dos últimos anos para o transporte rodoviário interestadual de passageiros no Brasil. O tema é o destaque desta semana do Podcast do Transporte, que analisa os impactos de um processo que reúne mais de 70 mil pedidos acumulados desde novembro de 2025 e promete transformar profundamente o setor.

    A dimensão da mudança é expressiva. A ANTT estima que cerca de 57 mil solicitações sejam aprovadas diretamente, enquanto outras 12 mil devem seguir para leilão. Na prática, o país pode ver até 800 cidades conectadas pela primeira vez ao sistema interestadual, além da quebra de monopólios em aproximadamente 10 mil mercados e a abertura de 35 mil novos trechos ainda não atendidos. Trata-se de uma expansão potencial que pode multiplicar por até 15 o número atual de ligações entre cidades.


    🎙️ Um sistema que não funciona como deveria

    Antes de entrar nos detalhes da janela, o episódio apresenta um diagnóstico crítico do advogado especialista Ilo Löbel da Luz. Segundo ele, o setor carrega um histórico de entraves regulatórios que se estende há mais de uma década.

    A transição de permissões para autorizações, programas como o Propass e sistemas como Monitriip, Sigma e SisHab 2 são citados como exemplos de iniciativas que, embora bem estruturadas na teoria, falharam na prática. Problemas como instabilidade tecnológica, falta de atualização cadastral, escassez de pessoal e limitações orçamentárias dificultam até processos simples.

    Para Ilo, o cenário é claro: “é um modelo que não funciona”. Mesmo com boas intenções, a estrutura atual não consegue entregar eficiência regulatória nem garantir previsibilidade para as empresas.


    🚌 Viabilidade econômica: só profissionais sobrevivem

    Se o ambiente regulatório enfrenta desafios, o mercado também impõe limites. Ilo estima que apenas entre 20% e 30% dos trechos solicitados serão efetivamente implantados — o que implica uma taxa de desistência que pode chegar a 80%.

    Cidades pequenas, por exemplo, dificilmente terão demanda suficiente para sustentar operações regulares. Além disso, muitos pedidos podem ser devolvidos ou abandonados diante de custos operacionais elevados.

    O especialista é categórico ao afirmar que o setor exige estrutura robusta: frota, motoristas, manutenção, tecnologia, pontos de venda e experiência operacional. Empresas tradicionais, com décadas de atuação, tendem a ter vantagem. Já a entrada de novos modelos, como o fretamento colaborativo em mercados regulares, é vista com cautela. “Transporte de passageiros é para profissional”, resume.


    🎯 A gincana regulatória da janela

    O processo da Janela Extraordinária também se destaca pela complexidade operacional — descrita no podcast como uma verdadeira “gincana”.

    Tudo começa com o pagamento da GRU (R$ 150 por trecho), enviado em 12 de março, com prazo de cinco dias úteis. O não pagamento elimina automaticamente o interessado.

    Na sequência:

    • 24 de abril: divulgação dos pedidos aprovados
    • Mercados sem concorrência são concedidos diretamente
    • Mercados disputados seguem para leilão

    O leilão ocorre até 4 de maio, sem valores mínimos ou máximos. Empates são resolvidos por sorteio.

    Depois:

    • 1º a 3 de junho: prazo final para confirmação de interesse
    • Após isso, não há mais possibilidade de desistência sem penalidade

    Os vencedores devem então solicitar o TAR (Termo de Autorização de Serviço), pagar eventuais lances até 10 de junho e aguardar a homologação final, prevista para 24 de junho. A operação pode começar em até 30 dias após essa etapa.


    🛣️ A visão do setor: abertura com responsabilidade

    A diretora executiva da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (ABRATI), Letícia Pineschi, destaca que o setor vive um momento de transição com o novo marco regulatório das TRIIP.

    Segundo ela, a abertura do mercado pode ampliar a oferta e estimular a concorrência, mas precisa ocorrer com equilíbrio regulatório. As empresas tradicionais, responsáveis por atender cerca de 95% do território nacional, ainda desempenham papel central na garantia de regularidade, capilaridade e qualidade do serviço.

    O desafio é combinar inovação com sustentabilidade econômica, mantendo o setor atrativo para investidores e operadores.


    🌧️ Mobilidade e clima: um alerta necessário

    Outro ponto abordado no episódio vem da jornalista Márcia Pinna, que chama atenção para os impactos das mudanças climáticas na mobilidade.

    Ela cita estudo do Institute for Transportation and Development Policy (ITDP), que lista riscos crescentes enfrentados pelas cidades brasileiras: ondas de calor, enchentes, escassez hídrica, vendavais, queimadas e deslizamentos.

    A infraestrutura de transporte, incluindo o sistema rodoviário, já sofre com esses eventos — o que torna ainda mais urgente o planejamento integrado entre mobilidade e resiliência urbana.


    📝 Editorial: regulação versus realidade

    No editorial da semana, o jornalista Alexandre Pelegi aponta um paradoxo recorrente no país: o avanço na formulação de modelos regulatórios não é acompanhado pela capacidade de التنفيذ.

    Segundo ele, a Janela Extraordinária escancara essa contradição. O Brasil desenvolve regras sofisticadas, sistemas modernos e conceitos avançados de fiscalização, mas não garante os recursos necessários para implementá-los.

    O risco, alerta, é transformar uma oportunidade histórica em mais um ciclo de frustração.


    🎧 Ouça agora

    O episódio completo do Podcast do Transporte aprofunda todos esses pontos com análise e bastidores do setor.

    Com produção do Diário do Transporte, em parceria com a Technibus/OTM Editora e a ANTP, o programa traz novos episódios toda quarta-feira nas principais plataformas digitais.

  • Tecnologia avança sem esperar votação do Marco Legal

    Tecnologia avança sem esperar votação do Marco Legal

    O Episódio 137 do Podcast do Transporte chegou trazendo os principais acontecimentos do setor de mobilidade urbana, com debates sobre tecnologia, legislação, segurança e sustentabilidade.

    Tecnologia segue avançando sem o Marco Legal

    Mesmo sem a aprovação do Marco Legal do Transporte, empresas de tecnologia continuam investindo e inovando. Para o setor, a legislação ajudará a garantir previsibilidade e segurança para investimentos, mas não é impeditivo para a evolução de soluções de mobilidade.

    Balieiro da Bus2 critica oposição ao Marco Legal

    Gustavo Balieiro, da Bus2, estranha críticas políticas à lei. Ele afirma que o Marco promove eficiência, indicadores de desempenho e mudanças estruturais, e que, após sua aprovação, será essencial para contratos equilibrados e incentivos operacionais no transporte urbano.

    Primova e Cittamobi reforçam inovação contínua

    Manu Cassimiro, diretora da Primova e do Cittamobi, destaca que a tecnologia em mobilidade já evolui há mais de dez anos sem depender da legislação. No entanto, ambientes regulatórios previsíveis permitem planejamento mais seguro e fortalecem os investimentos, como o uso de IA para manutenção de frotas.

    Suspensão no Caminho da Escola afeta produção nacional

    O programa Caminho da Escola suspendeu a compra de 7.470 ônibus escolares, cerca de 30% da produção nacional, segundo o jornalista Adamo Bazani. A medida, motivada por mudanças legislativas e contestações de fabricantes, impacta toda a cadeia produtiva e atrasa a renovação das frotas escolares no país.

    Mascarello lança ônibus 100% elétrico

    A fabricante Mascarello apresentou o Horizon, seu primeiro ônibus totalmente elétrico, equipado com baterias Blade da BYD e chassi BC12. O veículo prioriza materiais leves e manutenção simplificada, reforçando o compromisso da marca com inovação e sustentabilidade, segundo o designer João Paulo de Mello.

    ABRATI alerta para riscos do transporte clandestino

    Letícia Pineschi, conselheira da ABRATI, destacou o aumento de acidentes envolvendo transporte clandestino durante o carnaval. Veículos sem manutenção e motoristas não habilitados representam risco tanto para passageiros quanto para outros usuários das rodovias.

    Superloop de Londres inspira mobilidade periférica em São Paulo

    O jornalista Alexandre Pelegi comparou o Superloop londrino, rede de ônibus expressos periféricos, com a necessidade de ligações estruturadas em São Paulo. Segundo ele, o desafio não é tecnológico, mas de planejamento, governança e visão metropolitana, lembrando que projetos semelhantes já foram propostos pela ANTP décadas atrás.

    O Podcast do Transporte Episódio 137 reforça que inovação, legislação e planejamento urbano são fatores essenciais para transformar a mobilidade e tornar o transporte mais eficiente, seguro e sustentável no Brasil.

    O Podcast do Transporte é um produto do Diário do Transporte em parceria com a Technibus/OTM Editora e a ANTP. Produção da Toda Onda, direção Luiz Henrique Romagnoli. Edição geral Alexandre Pelegi

  • ANTP reage às fake news e defende o Marco Legal do Transporte Público no Congresso

    ANTP reage às fake news e defende o Marco Legal do Transporte Público no Congresso

    Após anos de debates técnicos, audiências públicas e negociações institucionais, o Marco Legal do Transporte Público Coletivo chega ao momento decisivo no Congresso Nacional sob forte pressão de desinformação nas redes sociais. Para a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), parte das críticas feitas por deputados e influenciadores distorce o conteúdo do projeto — por desconhecimento ou má-fé — e compromete um debate que deveria ser técnico e transparente.

    À frente da entidade, o presidente Ailton Brasiliense e o superintendente Luís Carlos Néspoli, o “Branco”, têm reforçado publicamente o que está, de fato, em discussão.

    O que o Marco Legal propõe

    O projeto não cria novos impostos nem estabelece cobranças ocultas. Seu objetivo é organizar diretrizes nacionais para o transporte público coletivo urbano, garantindo segurança jurídica, previsibilidade regulatória e novas possibilidades de financiamento.

    Hoje, o modelo brasileiro é excessivamente dependente da tarifa paga pelo usuário. Essa lógica se mostrou frágil diante da queda de demanda, do aumento de custos e das crises recentes. O Marco busca permitir que municípios, estados e União compartilhem responsabilidades tanto na infraestrutura quanto no custeio da operação, reconhecendo o transporte como política pública estruturante.

    Segundo a ANTP, reduzir o debate a acusações de “novo imposto” desvia a atenção do problema central: como financiar de forma sustentável um serviço essencial à mobilidade urbana e ao funcionamento das cidades.

    Ailton Brasiliense: foco na experiência do cidadão

    Ailton Brasiliense tem adotado uma explicação didática para rebater críticas. Ele descreve o percurso cotidiano do passageiro — da saída de casa ao ponto de ônibus, do tempo de espera à chegada ao destino — para lembrar que o Marco Legal trata, antes de tudo, da qualidade da experiência do cidadão.

    A proposta estabelece princípios voltados à dignidade, à previsibilidade do serviço, à integração entre modais e à melhoria das condições de operação. O presidente da ANTP enfatiza que a legislação precisa atender realidades distintas, de metrópoles como São Paulo a municípios médios e pequenos, respeitando especificidades locais.

    Ele também ressalta que ajustes ao longo da implementação são naturais em qualquer política pública de alcance nacional, mas que a espinha dorsal do projeto foi construída com ampla participação técnica ao longo de mais de três anos.

    Branco: transporte é direito social e exige financiamento coletivo

    Para Luís Carlos Néspoli, o debate precisa partir de um ponto objetivo: o transporte público responde por cerca de metade das viagens urbanas e sustenta o funcionamento das cidades. Trabalhadores, estudantes e usuários de serviços dependem dele diariamente.

    Branco argumenta que não é razoável manter a lógica de que apenas o passageiro financie um sistema que beneficia toda a sociedade. O Marco Legal, segundo ele, cria base legal para que diferentes entes federativos participem do custeio, algo considerado indispensável diante da limitação orçamentária das prefeituras.

    Ele também defende que a tramitação no Congresso mantenha o mesmo grau de transparência que marcou a construção do texto.

    LatBus 2026 amplia integração do setor

    O setor também se prepara para a próxima edição da LatBus, que chega maior e mais diversificada. A feira ampliará pavilhões e áreas externas, reunindo indústria, operadores, gestores públicos e fornecedores de tecnologia.

    A programação prevê seminários, fóruns nacionais e internacionais e a integração do tradicional Frotas Conectadas, fortalecendo o debate sobre inovação, conectividade e sustentabilidade no transporte coletivo.

    CNT alerta para risco de agravamento da falta de motoristas

    Em outra frente de discussão, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) manifestou preocupação com a proposta de extinção da jornada 6×1. A entidade avalia que a redução da jornada, sem ampliação do quadro de trabalhadores, pode intensificar o déficit de motoristas e elevar custos operacionais.

    Levantamentos da CNT indicam que mais da metade das empresas urbanas já enfrenta escassez de condutores, além de carência significativa de mecânicos.

    Abrati reforça alerta contra transporte clandestino

    A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) voltou a alertar para os riscos do transporte clandestino após acidente com vítimas em rodovias de Goiás. Em entrevista à CBN, a entidade destacou que operações irregulares continuam provocando mortes e prejuízos às famílias.

    Segundo a associação, é necessário reforçar a fiscalização e impedir que empresas atuem com liminares e documentação precária, em desrespeito às normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres.

    Editorial: governança acima da ideologia

    O editorial da semana analisa os 30 anos da privatização ferroviária no Reino Unido e o movimento recente de revisão do modelo. A experiência britânica demonstra que transporte não é uma questão ideológica sobre propriedade, mas um desafio de governança.

    Fragmentação excessiva, contratos desequilibrados e ausência de coordenação estatal geram custos elevados. No Brasil, as lições se repetem: contratos organizam a operação, mas é o Estado que organiza o sistema. Quando essa relação falha, o impacto recai diretamente sobre o passageiro.

    Diante do cenário atual, a ANTP sustenta que o debate sobre o Marco Legal precisa se afastar do ruído digital e retornar ao seu eixo central: garantir um transporte público financeiramente sustentável, tecnicamente estruturado e socialmente justo

    🎧 Ouça agora no Spotify.

  • A experiência de Niege Chaves com a descarbonização: lições, fracassos e avanços

    A experiência de Niege Chaves com a descarbonização: lições, fracassos e avanços

    No mais recente episódio do Podcast do Transporte, a empresária Niege Chaves, da MobiBrasil, compartilha uma trajetória marcada por coragem, erros estratégicos e aprendizados profundos na busca por uma matriz energética mais limpa no transporte coletivo.

    Da aposta no etanol ao teste com gás natural, até a eletrificação em São Paulo, Niege fala com franqueza sobre o que funcionou, o que fracassou e o que precisa mudar para que a transição energética no Brasil deixe de ser promessa e se torne política de Estado.

    A principal conclusão? Descarbonizar o transporte público não é tarefa individual. É construção coletiva — entre poder público, operadores e sociedade.


    O que Niege Chaves sentiu na pele e no bolso na transição energética

    1️⃣ Etanol: entusiasmo inicial, fracasso anunciado

    A experiência da MobiBrasil com ônibus a etanol, iniciada em 2011 na cidade de São Paulo, nasceu sob forte expectativa ambiental. À época, o projeto era visto como alternativa concreta ao diesel, com redução significativa de emissões.

    Mas o que parecia promissor revelou fragilidades estruturais:

    • Forte variação no preço do combustível
    • Dependência de peças importadas
    • Baixa disponibilidade operacional
    • Mudança repentina na linha política da prefeitura

    Mesmo com ganhos ambientais relevantes, o modelo não se sustentou economicamente. Para Niege, o erro central foi implantar a tecnologia antes da maturidade técnica, da infraestrutura adequada e, principalmente, da consolidação de uma política pública estável.

    “O fracasso não foi da ideia ambiental. Foi da falta de planejamento conjunto”, resume.


    2️⃣ Transição energética só funciona com política pública e planejamento conjunto

    A grande lição do etanol, segundo a empresária, é clara: nenhuma matriz energética sobrevive sem continuidade política, escala e divisão de responsabilidades.

    Governos, órgãos gestores, operadores e sociedade precisam caminhar juntos. A descarbonização não pode depender de vontades momentâneas ou ciclos eleitorais.

    Hoje, a MobiBrasil testa ônibus a gás no Recife, com balanço inicial positivo. O desempenho operacional tem sido mais previsível, e a maturidade tecnológica já é superior à observada no ciclo do etanol.

    Mas Niege mantém cautela: qualquer tecnologia precisa estar inserida em um ecossistema de longo prazo.


    3️⃣ Eletrificação em São Paulo: projeto “atordoado”, mas sem volta

    A eletrificação da frota paulistana representa um novo capítulo — mais complexo e irreversível.

    Niege detalha os desafios enfrentados:

    • Proibição abrupta da renovação da frota a diesel em 2023
    • Envelhecimento de mais de 3 mil ônibus
    • Atrasos na homologação de veículos articulados e superarticulados
    • Limitações de infraestrutura elétrica nas garagens

    O processo, segundo ela, foi “atordoado”. Ainda assim, reconhece méritos no modelo adotado por São Paulo, especialmente no desenho financeiro e na lógica de financiamento dos ativos.

    Sua recomendação é pragmática:
    A transição precisa ser gradual, começando pelos veículos menores, acompanhada de investimento pesado em infraestrutura e capacitação técnica.

    Neste momento, a empresa avalia alternativas entre sistemas de armazenamento de energia (BESS) e ampliação da conexão em alta tensão — decisões que impactam diretamente o custo e a viabilidade do projeto.

    Apesar dos tropeços, Niege se declara otimista. Para ela, a eletrificação não tem volta. O desafio é torná-la sustentável econômica e operacionalmente.


    Editorial: a geração que sabe o que não quer

    Inspirado em uma frase atribuída a Clarice Lispector — “Não sei o que quero ser, mas sei o que não quero ser” — o editorial de Alexandre Pelegi provoca o setor de transporte a olhar para dentro.

    Segundo o especialista Ilo Lobel da Luz, a frase traduz o comportamento da geração Z no mercado de trabalho: rejeição a ambientes tóxicos, estruturas engessadas e promessas vazias de crescimento.

    O setor de transporte, historicamente associado à estabilidade e rotina, precisa entender que propósito, ambiente saudável e liderança inspiradora tornaram-se fatores determinantes para retenção de talentos.

    Talvez o apagão não seja de mão de obra — mas de escuta.


    Technibus: Volvo aposta em elétricos e biodiesel

    No bloco Technibus, Márcia Pinna entrevista Ricardo Seixas, novo diretor comercial de ônibus da Volvo Brasil.

    A empresa reforça seu compromisso com a descarbonização na América Latina apostando em duas frentes:

    • Ônibus elétricos
    • Biodiesel B100

    Recentemente, a Volvo entregou 21 chassis elétricos em Goiânia e anunciou que ainda este ano oferecerá a opção do biocombustível B100 no chassi urbano B320R, com potencial de reduzir em até 90% as emissões de CO₂.

    Para Seixas, o Brasil não precisa escolher uma tecnologia única, mas combinar soluções de acordo com a realidade de cada região.


    Abrati News: Ouro e Prata conecta 100% da frota via satélite

    A empresa Ouro e Prata passou a oferecer internet via satélite em 100% de sua frota com a tecnologia Opconecta.

    O sistema funciona inclusive em regiões sem cobertura de telefonia móvel, permitindo acesso contínuo a redes sociais, e-mails, streaming e ferramentas de trabalho. A velocidade pode chegar a 220 MB/s, com múltiplos acessos simultâneos.

    O projeto levou três anos de desenvolvimento e posiciona a empresa na vanguarda do atendimento ao passageiro conectado.


    Uma conclusão que vale para todo o setor

    A trajetória de Niege Chaves mostra que a transição energética é menos sobre tecnologia e mais sobre governança, previsibilidade e compromisso coletivo.

    Erros custam caro. Mas ignorar as lições custa ainda mais.

    E se há algo que essa geração de empresários já sabe, talvez seja isso: pode até não haver clareza absoluta sobre o modelo ideal — mas está cada vez mais claro o que não funciona mais.

    🎧 Ouça agora o episódio completo do Podcast do Transporte.

  • Recuperar passageiros é mais sustentável que eletrificar a frota do país, diz Semove

    Recuperar passageiros é mais sustentável que eletrificar a frota do país, diz Semove

    O novo episódio do Podcast do Transporte coloca no centro do debate um ponto crucial para o futuro da mobilidade urbana: descarbonizar é importante, mas recuperar passageiros pode ser ainda mais estratégico. A afirmação é de Richele Cabral, diretora da Semove, que apresentou dados contundentes sobre o impacto da perda de demanda no Estado do Rio de Janeiro.

    Recuperar passageiros no RJ = eletrificar toda a frota do Brasil

    Durante debates sobre descarbonização promovidos pelo Detro, Richele revelou um dado emblemático: se o Rio de Janeiro recuperasse a demanda perdida no transporte intermunicipal, o impacto ambiental seria equivalente à eletrificação de toda a frota de ônibus do país.

    A mensagem é direta: sustentabilidade começa com eficiência operacional. Não basta trocar o combustível se o sistema continuar perdendo usuários. Como ela resume, ônibus elétrico parado no congestionamento “não resolve nada”.

    O que o passageiro realmente quer? Tempo de viagem

    Estudos da NTU e da COPPE/UFRJ mostram que, embora a descarbonização seja relevante, ela não aparece entre as cinco principais prioridades do usuário. O fator decisivo para quem abandonou o ônibus é o tempo de deslocamento.

    As pesquisas indicam ainda que 70% dos usuários de motocicleta voltariam ao transporte coletivo se a viagem fosse mais rápida. O dado reforça a importância de políticas como faixas exclusivas, corredores estruturados e prioridade semafórica — medidas que tornam o ônibus competitivo frente ao transporte individual.

    Rio perdeu metade dos passageiros em 10 anos

    O sistema intermunicipal do Rio de Janeiro encolheu cerca de 50% na última década. A queda na demanda foi acompanhada pela redução proporcional da frota, da oferta e da quilometragem, gerando um ciclo de deterioração do serviço.

    O resultado foi uma migração consistente para carro, moto e aplicativos de transporte — alternativas mais poluentes, menos eficientes do ponto de vista coletivo e que ampliam congestionamentos e emissões.

    Faixas exclusivas enfrentam resistência — mas beneficiam mais gente

    Segundo Richele, a resistência às faixas exclusivas parte, em grande medida, de quem não utiliza o transporte coletivo, mas exerce forte influência na opinião pública. O argumento central é simples: um ônibus transporta entre 40 e 50 pessoas, enquanto um carro leva, em média, uma ou duas.

    Garantir prioridade ao ônibus significa beneficiar um número muito maior de cidadãos com o mesmo espaço viário. Superar esse preconceito é passo fundamental para tornar a mobilidade urbana mais eficiente e sustentável.

    Indústria avança em múltiplas tecnologias

    No episódio, Márcia Pinna, da Technibus, entrevista Ricardo Portolan, diretor da Marcopolo. Ele confirma que a indústria nacional amplia seu portfólio de tecnologias sustentáveis.

    Em 2026 começam as entregas dos primeiros ônibus a biometano. Modelos híbridos elétrico-etanol entram em operação assistida, enquanto projetos com hidrogênio seguem em desenvolvimento. Para Portolan, o caminho não é apostar em uma única solução energética, mas diversificar.

    ABC paulista mostra que ouvir o passageiro funciona

    O jornalista Adamo Bazani apresenta o case do Circular da Saúde, em Santo André, no ABC paulista. A linha foi criada a partir de dados de bilhetagem, pedidos da população e roteirização inteligente.

    O serviço aplica conceitos de transporte sob demanda dentro do sistema regular e alcançou 91% de aprovação, segundo o Instituto Paraná Pesquisas. O resultado é aumento contínuo da demanda e uma lição objetiva: para atrair passageiros, é preciso atender às suas necessidades reais.

    Abrati News

    A ANTT vai atualizar as normas do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), alinhando-as à legislação vigente, com diretrizes sobre tempo de espera, atendimento humano, acessibilidade e tratamento das demandas.

    A consulta pública já está aberta, e a sessão híbrida — presencial e online — acontece no dia 3 de março, em Brasília.

    Depoimento LatBus – Nansen

    O episódio traz ainda o depoimento de Denner Andrade, gerente de contas da Nansen, que confirmou a presença da empresa na LatBus 2026. Segundo ele, o evento é estratégico para o setor e reunirá as principais empresas do mercado.


    🎧 Ouça agora o Podcast do Transporte e entenda por que recuperar passageiros pode ser a medida mais sustentável — econômica, ambiental e socialmente — para o futuro da mobilidade urbana no Brasil.

  • Marco Regulatório da Mobilidade Urbana avança no Congresso

    Marco Regulatório da Mobilidade Urbana avança no Congresso

    O Episódio 133 do Podcast do Transporte entra nos bastidores das articulações em curso no Congresso Nacional para destravar o Marco Regulatório da Mobilidade Urbana e ampliar os recursos destinados ao custeio do transporte público nas cidades brasileiras.

    Alexandre Pelegi conduz as conversas com João Lucas Albuquerque Oliveira, gerente de Mobilidade Urbana da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), e Ronan Araujo Bento de Castro, analista legislativo, que detalham os próximos passos no Legislativo e os desafios para garantir que os recursos cheguem aos municípios com regras claras, transparência e sem distorções.

    Urgência nas votações e novas fontes de financiamento

    Um pedido de urgência para a tramitação do Marco Regulatório, já apresentado pelas principais entidades ligadas ao transporte público, aguarda avaliação das lideranças partidárias. Caso aprovado, o texto poderá seguir diretamente para votação em plenário, acelerando uma pauta considerada estratégica para os municípios.

    Segundo João Lucas e Ronan Castro, cresce entre os deputados a percepção da importância política e da visibilidade eleitoral do apoio ao transporte público. Esse movimento já se reflete no uso de emendas parlamentares voltadas ao custeio direto da mobilidade urbana, algo antes pouco explorado.

    Os especialistas destacam, porém, que os municípios estão atentos à necessidade de regras claras, mecanismos de fiscalização e sistemas de dados confiáveis, para evitar mau uso dos recursos. Como referência, citam os modelos consolidados da saúde e da educação, que contam com estruturas nacionais de monitoramento como o SUS e o INEP.

    Nesse contexto, ganha relevância o Indicador de Financiamento e Equidade Municipal (IFEM), lançado no fim do ano passado, que expõe distorções significativas na distribuição atual do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e pode servir de base técnica para decisões mais justas no financiamento da mobilidade.

    Trem Intercidades: São Paulo–Campinas mais perto dos trilhos

    O episódio também traz atualizações sobre o Trem Intercidades (TIC), que ligará São Paulo a Campinas. Márcia Pinna, da Technibus, adianta que as obras estão previstas para começar em maio de 2026.

    Já o CEO da TIC Trens, Pedro Moro, detalha os avanços no trecho Jundiaí–Campinas e os desafios técnicos envolvidos na compatibilização da operação de passageiros com a malha de cargas da MRS Logística, um dos pontos mais sensíveis do projeto.

    Grupo Comporte amplia atuação além dos transportes

    Outro destaque do episódio é a expansão do Grupo Comporte, controlado pela família Constantino Oliveira. Adamo Bazani analisa como o conglomerado, que já opera mais de 7 mil ônibus e avança no setor metroferroviário, diversifica agora seus investimentos para além da mobilidade.

    A novidade é a entrada no setor de energia renovável, com participação em projetos eólicos no Rio Grande do Sul, reforçando uma estratégia de diversificação e sustentabilidade de longo prazo.

    Abrati News: Carnaval aquece as viagens rodoviárias

    No quadro Abrati News, Letícia Pineschi, conselheira da Abrati, projeta um crescimento de 15% nas viagens rodoviárias durante o carnaval em comparação com o ano passado.

    Janeiro já registrou 4,5 milhões de passageiros em ônibus interestaduais, e fevereiro deve acrescentar mais 3,5 milhões ao total. A entidade reforça o alerta: evitar o transporte clandestino e comprar passagens sempre por canais oficiais, garantindo segurança e direitos ao passageiro.

    Editorial: recursos precisam de rota clara

    No editorial do episódio, Alexandre Pelegi chama atenção para o debate sobre a faixa azul para motociclistas. Ele ressalta que a medida, isoladamente, não resolve o aumento dos acidentes, frequentemente associados ao excesso de velocidade, falta de fiscalização e pressão por tempo.

    A faixa azul surgiu para organizar um espaço que já era usado informalmente por motociclistas entre os carros, trazendo mais visibilidade e previsibilidade e reduzindo conflitos laterais. No entanto, o crescimento das entregas por aplicativo e do mototáxi intensifica a urgência e incentiva comportamentos de risco.

    Por isso, a faixa azul precisa estar integrada a políticas mais amplas, que envolvam educação no trânsito, gestão de velocidades e regulação das plataformas digitais.


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    O Podcast do Transporte é uma produção do Diário do Transporte, da OTM Technibus e da ANTP, com produção da Toda Onda.

  • Rio de Janeiro inicia virada inédita no transporte intermunicipal

    Rio de Janeiro inicia virada inédita no transporte intermunicipal

    Nova licitação troca outorga por frota limpa, reorganiza linhas e promete elevar o padrão de qualidade

    Depois de mais de uma década marcada por contratos precários e soluções provisórias, o transporte intermunicipal do Rio de Janeiro se prepara para uma transformação estrutural. O governo estadual está prestes a lançar uma nova licitação que rompe com o modelo tradicional de cobrança de outorga e passa a exigir, como contrapartida, investimentos diretos em frota limpa, infraestrutura e melhoria efetiva do serviço ao passageiro.

    A proposta foi o centro do debate no Podcast do Transporte, em conversa conduzida por Alexandre Pelegi com Raphael Salgado, presidente do Detro-RJ, Richele Cabral, representante da Semove, e William Aquino, da ANTP. O consenso é claro: trata-se de uma mudança profunda, necessária — mas cheia de desafios.


    🔌 Um novo modelo para um sistema que precisa renascer

    O edital estabelece um conjunto de exigências que, se cumpridas, elevam significativamente o padrão do transporte intermunicipal fluminense:

    • 100% da frota com ar-condicionado
    • 10% de veículos de zero emissão
    • Idade média máxima da frota de 6 anos
    • Nenhum ônibus com mais de 12 anos de uso
    • Reorganização de mais de 100 linhas hoje sobrepostas
    • Divisão da Região Metropolitana em 8 lotes
    • Concessões de 15 anos, renováveis por mais 15 mediante cumprimento de metas de qualidade

    Sem possibilidade de subsídios diretos — por conta do regime de recuperação fiscal do Estado — o modelo aposta em contratos mais longos e previsibilidade regulatória para viabilizar os investimentos.

    Segundo Raphael Salgado, haverá um reajuste tarifário moderado, mas o retorno ao passageiro será imediato: ônibus novos, climatizados, menos quebras e maior confiabilidade na operação. Para ele, a licitação corrige distorções históricas e reposiciona o poder público como planejador do sistema, e não apenas como homologador de linhas.


    🚌 Operadores apoiam, mas pedem realismo

    Do lado das empresas, a avaliação é positiva, porém cautelosa. Richele Cabral, da Semove, afirma que o setor reconhece a importância da transição energética e está disposto a investir em novas tecnologias. O alerta, no entanto, é direto: sem recuperar passageiros perdidos ao longo dos anos, não há modelo que se sustente.

    Ela lamenta a ausência de subsídios tarifários no edital e defende que esse seria o verdadeiro fator de transformação para o usuário final, reduzindo o impacto do custo sobre a tarifa e estimulando o retorno da demanda ao transporte coletivo regular.


    📊 Contrato moderno e alinhado às melhores práticas

    Para William Aquino, da ANTP, o desenho da licitação aproxima o Rio de Janeiro das melhores práticas nacionais e internacionais. O modelo prioriza contratos baseados na oferta de serviço, custos mais transparentes, indicadores objetivos de qualidade e mecanismos de reajuste condicionados ao desempenho.

    Aquino destaca ainda que a proposta fortalece o papel do poder concedente, que deixa de atuar de forma passiva e passa a organizar o sistema, criando concorrência “pelo mercado” — e não apenas dentro dele.


    ⚡ O mundo acelera — e o Brasil observa

    Em sua coluna, Márcia Pinna, da Technibus, amplia o olhar para fora do país. Ela mostra como o mercado africano de ônibus elétricos cresce rapidamente, impulsionado por fabricantes chineses e iniciativas locais de descarbonização.

    O movimento acende um sinal de alerta para a indústria brasileira, especialmente diante das discussões sobre importação de veículos desmontados (CKD/SKD) e da concorrência com produtos fortemente subsidiados no exterior.


    🔌 Roubo de cabos: um problema nacional

    Outro tema crítico abordado é o furto de cabos e equipamentos em sistemas sobre trilhos. Adamo Bazani, do Diário do Transporte, mostra que o problema — já conhecido no Metrô de São Paulo — se espalha por todo o país, com quadrilhas especializadas causando interrupções frequentes e riscos operacionais.

    A resposta começa a ganhar escala nacional. A ANPTrilhos tem atuado junto ao poder público e já obteve avanços importantes, como a aprovação do aumento da pena para esse tipo de crime.


    🚌 Abrati News: nova rodoviária de Salvador

    Abrati destaca a mudança das operações para a Nova Rodoviária da Bahia, em Águas Claras. O novo terminal conta com estrutura moderna, integração ao metrô e sistemas avançados de segurança. A transferência ocorre em período crítico — férias e carnaval — exigindo comunicação clara e reforçada das empresas com os passageiros.


    📝 Editorial: ilegalidade não se disfarça com ar-condicionado

    No editorial da semana, Alexandre Pelegi é direto: qualidade operacional não transforma um serviço ilegal em legal. Ele critica tentativas de relativizar a clandestinidade no transporte rodoviário e reforça pontos essenciais:

    • não existe clandestino premium;
    • não existe ilegal “com bom atendimento”;
    • ônibus novo não substitui autorização;
    • aplicativo bonito não substitui outorga;
    • simpatia do motorista não substitui a lei.

    A clandestinidade, lembra Pelegi, prejudica quem opera corretamente, enfraquece o Estado e coloca o passageiro em risco — inclusive sem cobertura de seguro. Segurança jurídica no transporte não é detalhe: é questão de vida ou morte.


    🎧 Um episódio para entender o futuro do transporte

    episódio 132 do Podcast do Transporte conecta todos esses temas — regulação, tecnologia, segurança pública e legalidade — mostrando como decisões estruturais moldam o futuro do transporte coletivo no Brasil.

    O podcast é uma produção do Diário do Transporte, da OTM Technibus e da ANTP, com produção da Toda Onda.