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  • Tecnologia avança sem esperar votação do Marco Legal

    Tecnologia avança sem esperar votação do Marco Legal

    O Episódio 137 do Podcast do Transporte chegou trazendo os principais acontecimentos do setor de mobilidade urbana, com debates sobre tecnologia, legislação, segurança e sustentabilidade.

    Tecnologia segue avançando sem o Marco Legal

    Mesmo sem a aprovação do Marco Legal do Transporte, empresas de tecnologia continuam investindo e inovando. Para o setor, a legislação ajudará a garantir previsibilidade e segurança para investimentos, mas não é impeditivo para a evolução de soluções de mobilidade.

    Balieiro da Bus2 critica oposição ao Marco Legal

    Gustavo Balieiro, da Bus2, estranha críticas políticas à lei. Ele afirma que o Marco promove eficiência, indicadores de desempenho e mudanças estruturais, e que, após sua aprovação, será essencial para contratos equilibrados e incentivos operacionais no transporte urbano.

    Primova e Cittamobi reforçam inovação contínua

    Manu Cassimiro, diretora da Primova e do Cittamobi, destaca que a tecnologia em mobilidade já evolui há mais de dez anos sem depender da legislação. No entanto, ambientes regulatórios previsíveis permitem planejamento mais seguro e fortalecem os investimentos, como o uso de IA para manutenção de frotas.

    Suspensão no Caminho da Escola afeta produção nacional

    O programa Caminho da Escola suspendeu a compra de 7.470 ônibus escolares, cerca de 30% da produção nacional, segundo o jornalista Adamo Bazani. A medida, motivada por mudanças legislativas e contestações de fabricantes, impacta toda a cadeia produtiva e atrasa a renovação das frotas escolares no país.

    Mascarello lança ônibus 100% elétrico

    A fabricante Mascarello apresentou o Horizon, seu primeiro ônibus totalmente elétrico, equipado com baterias Blade da BYD e chassi BC12. O veículo prioriza materiais leves e manutenção simplificada, reforçando o compromisso da marca com inovação e sustentabilidade, segundo o designer João Paulo de Mello.

    ABRATI alerta para riscos do transporte clandestino

    Letícia Pineschi, conselheira da ABRATI, destacou o aumento de acidentes envolvendo transporte clandestino durante o carnaval. Veículos sem manutenção e motoristas não habilitados representam risco tanto para passageiros quanto para outros usuários das rodovias.

    Superloop de Londres inspira mobilidade periférica em São Paulo

    O jornalista Alexandre Pelegi comparou o Superloop londrino, rede de ônibus expressos periféricos, com a necessidade de ligações estruturadas em São Paulo. Segundo ele, o desafio não é tecnológico, mas de planejamento, governança e visão metropolitana, lembrando que projetos semelhantes já foram propostos pela ANTP décadas atrás.

    O Podcast do Transporte Episódio 137 reforça que inovação, legislação e planejamento urbano são fatores essenciais para transformar a mobilidade e tornar o transporte mais eficiente, seguro e sustentável no Brasil.

    O Podcast do Transporte é um produto do Diário do Transporte em parceria com a Technibus/OTM Editora e a ANTP. Produção da Toda Onda, direção Luiz Henrique Romagnoli. Edição geral Alexandre Pelegi

  • ANTP reage às fake news e defende o Marco Legal do Transporte Público no Congresso

    ANTP reage às fake news e defende o Marco Legal do Transporte Público no Congresso

    Após anos de debates técnicos, audiências públicas e negociações institucionais, o Marco Legal do Transporte Público Coletivo chega ao momento decisivo no Congresso Nacional sob forte pressão de desinformação nas redes sociais. Para a Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), parte das críticas feitas por deputados e influenciadores distorce o conteúdo do projeto — por desconhecimento ou má-fé — e compromete um debate que deveria ser técnico e transparente.

    À frente da entidade, o presidente Ailton Brasiliense e o superintendente Luís Carlos Néspoli, o “Branco”, têm reforçado publicamente o que está, de fato, em discussão.

    O que o Marco Legal propõe

    O projeto não cria novos impostos nem estabelece cobranças ocultas. Seu objetivo é organizar diretrizes nacionais para o transporte público coletivo urbano, garantindo segurança jurídica, previsibilidade regulatória e novas possibilidades de financiamento.

    Hoje, o modelo brasileiro é excessivamente dependente da tarifa paga pelo usuário. Essa lógica se mostrou frágil diante da queda de demanda, do aumento de custos e das crises recentes. O Marco busca permitir que municípios, estados e União compartilhem responsabilidades tanto na infraestrutura quanto no custeio da operação, reconhecendo o transporte como política pública estruturante.

    Segundo a ANTP, reduzir o debate a acusações de “novo imposto” desvia a atenção do problema central: como financiar de forma sustentável um serviço essencial à mobilidade urbana e ao funcionamento das cidades.

    Ailton Brasiliense: foco na experiência do cidadão

    Ailton Brasiliense tem adotado uma explicação didática para rebater críticas. Ele descreve o percurso cotidiano do passageiro — da saída de casa ao ponto de ônibus, do tempo de espera à chegada ao destino — para lembrar que o Marco Legal trata, antes de tudo, da qualidade da experiência do cidadão.

    A proposta estabelece princípios voltados à dignidade, à previsibilidade do serviço, à integração entre modais e à melhoria das condições de operação. O presidente da ANTP enfatiza que a legislação precisa atender realidades distintas, de metrópoles como São Paulo a municípios médios e pequenos, respeitando especificidades locais.

    Ele também ressalta que ajustes ao longo da implementação são naturais em qualquer política pública de alcance nacional, mas que a espinha dorsal do projeto foi construída com ampla participação técnica ao longo de mais de três anos.

    Branco: transporte é direito social e exige financiamento coletivo

    Para Luís Carlos Néspoli, o debate precisa partir de um ponto objetivo: o transporte público responde por cerca de metade das viagens urbanas e sustenta o funcionamento das cidades. Trabalhadores, estudantes e usuários de serviços dependem dele diariamente.

    Branco argumenta que não é razoável manter a lógica de que apenas o passageiro financie um sistema que beneficia toda a sociedade. O Marco Legal, segundo ele, cria base legal para que diferentes entes federativos participem do custeio, algo considerado indispensável diante da limitação orçamentária das prefeituras.

    Ele também defende que a tramitação no Congresso mantenha o mesmo grau de transparência que marcou a construção do texto.

    LatBus 2026 amplia integração do setor

    O setor também se prepara para a próxima edição da LatBus, que chega maior e mais diversificada. A feira ampliará pavilhões e áreas externas, reunindo indústria, operadores, gestores públicos e fornecedores de tecnologia.

    A programação prevê seminários, fóruns nacionais e internacionais e a integração do tradicional Frotas Conectadas, fortalecendo o debate sobre inovação, conectividade e sustentabilidade no transporte coletivo.

    CNT alerta para risco de agravamento da falta de motoristas

    Em outra frente de discussão, a Confederação Nacional do Transporte (CNT) manifestou preocupação com a proposta de extinção da jornada 6×1. A entidade avalia que a redução da jornada, sem ampliação do quadro de trabalhadores, pode intensificar o déficit de motoristas e elevar custos operacionais.

    Levantamentos da CNT indicam que mais da metade das empresas urbanas já enfrenta escassez de condutores, além de carência significativa de mecânicos.

    Abrati reforça alerta contra transporte clandestino

    A Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati) voltou a alertar para os riscos do transporte clandestino após acidente com vítimas em rodovias de Goiás. Em entrevista à CBN, a entidade destacou que operações irregulares continuam provocando mortes e prejuízos às famílias.

    Segundo a associação, é necessário reforçar a fiscalização e impedir que empresas atuem com liminares e documentação precária, em desrespeito às normas da Agência Nacional de Transportes Terrestres.

    Editorial: governança acima da ideologia

    O editorial da semana analisa os 30 anos da privatização ferroviária no Reino Unido e o movimento recente de revisão do modelo. A experiência britânica demonstra que transporte não é uma questão ideológica sobre propriedade, mas um desafio de governança.

    Fragmentação excessiva, contratos desequilibrados e ausência de coordenação estatal geram custos elevados. No Brasil, as lições se repetem: contratos organizam a operação, mas é o Estado que organiza o sistema. Quando essa relação falha, o impacto recai diretamente sobre o passageiro.

    Diante do cenário atual, a ANTP sustenta que o debate sobre o Marco Legal precisa se afastar do ruído digital e retornar ao seu eixo central: garantir um transporte público financeiramente sustentável, tecnicamente estruturado e socialmente justo

    🎧 Ouça agora no Spotify.

  • A experiência de Niege Chaves com a descarbonização: lições, fracassos e avanços

    A experiência de Niege Chaves com a descarbonização: lições, fracassos e avanços

    No mais recente episódio do Podcast do Transporte, a empresária Niege Chaves, da MobiBrasil, compartilha uma trajetória marcada por coragem, erros estratégicos e aprendizados profundos na busca por uma matriz energética mais limpa no transporte coletivo.

    Da aposta no etanol ao teste com gás natural, até a eletrificação em São Paulo, Niege fala com franqueza sobre o que funcionou, o que fracassou e o que precisa mudar para que a transição energética no Brasil deixe de ser promessa e se torne política de Estado.

    A principal conclusão? Descarbonizar o transporte público não é tarefa individual. É construção coletiva — entre poder público, operadores e sociedade.


    O que Niege Chaves sentiu na pele e no bolso na transição energética

    1️⃣ Etanol: entusiasmo inicial, fracasso anunciado

    A experiência da MobiBrasil com ônibus a etanol, iniciada em 2011 na cidade de São Paulo, nasceu sob forte expectativa ambiental. À época, o projeto era visto como alternativa concreta ao diesel, com redução significativa de emissões.

    Mas o que parecia promissor revelou fragilidades estruturais:

    • Forte variação no preço do combustível
    • Dependência de peças importadas
    • Baixa disponibilidade operacional
    • Mudança repentina na linha política da prefeitura

    Mesmo com ganhos ambientais relevantes, o modelo não se sustentou economicamente. Para Niege, o erro central foi implantar a tecnologia antes da maturidade técnica, da infraestrutura adequada e, principalmente, da consolidação de uma política pública estável.

    “O fracasso não foi da ideia ambiental. Foi da falta de planejamento conjunto”, resume.


    2️⃣ Transição energética só funciona com política pública e planejamento conjunto

    A grande lição do etanol, segundo a empresária, é clara: nenhuma matriz energética sobrevive sem continuidade política, escala e divisão de responsabilidades.

    Governos, órgãos gestores, operadores e sociedade precisam caminhar juntos. A descarbonização não pode depender de vontades momentâneas ou ciclos eleitorais.

    Hoje, a MobiBrasil testa ônibus a gás no Recife, com balanço inicial positivo. O desempenho operacional tem sido mais previsível, e a maturidade tecnológica já é superior à observada no ciclo do etanol.

    Mas Niege mantém cautela: qualquer tecnologia precisa estar inserida em um ecossistema de longo prazo.


    3️⃣ Eletrificação em São Paulo: projeto “atordoado”, mas sem volta

    A eletrificação da frota paulistana representa um novo capítulo — mais complexo e irreversível.

    Niege detalha os desafios enfrentados:

    • Proibição abrupta da renovação da frota a diesel em 2023
    • Envelhecimento de mais de 3 mil ônibus
    • Atrasos na homologação de veículos articulados e superarticulados
    • Limitações de infraestrutura elétrica nas garagens

    O processo, segundo ela, foi “atordoado”. Ainda assim, reconhece méritos no modelo adotado por São Paulo, especialmente no desenho financeiro e na lógica de financiamento dos ativos.

    Sua recomendação é pragmática:
    A transição precisa ser gradual, começando pelos veículos menores, acompanhada de investimento pesado em infraestrutura e capacitação técnica.

    Neste momento, a empresa avalia alternativas entre sistemas de armazenamento de energia (BESS) e ampliação da conexão em alta tensão — decisões que impactam diretamente o custo e a viabilidade do projeto.

    Apesar dos tropeços, Niege se declara otimista. Para ela, a eletrificação não tem volta. O desafio é torná-la sustentável econômica e operacionalmente.


    Editorial: a geração que sabe o que não quer

    Inspirado em uma frase atribuída a Clarice Lispector — “Não sei o que quero ser, mas sei o que não quero ser” — o editorial de Alexandre Pelegi provoca o setor de transporte a olhar para dentro.

    Segundo o especialista Ilo Lobel da Luz, a frase traduz o comportamento da geração Z no mercado de trabalho: rejeição a ambientes tóxicos, estruturas engessadas e promessas vazias de crescimento.

    O setor de transporte, historicamente associado à estabilidade e rotina, precisa entender que propósito, ambiente saudável e liderança inspiradora tornaram-se fatores determinantes para retenção de talentos.

    Talvez o apagão não seja de mão de obra — mas de escuta.


    Technibus: Volvo aposta em elétricos e biodiesel

    No bloco Technibus, Márcia Pinna entrevista Ricardo Seixas, novo diretor comercial de ônibus da Volvo Brasil.

    A empresa reforça seu compromisso com a descarbonização na América Latina apostando em duas frentes:

    • Ônibus elétricos
    • Biodiesel B100

    Recentemente, a Volvo entregou 21 chassis elétricos em Goiânia e anunciou que ainda este ano oferecerá a opção do biocombustível B100 no chassi urbano B320R, com potencial de reduzir em até 90% as emissões de CO₂.

    Para Seixas, o Brasil não precisa escolher uma tecnologia única, mas combinar soluções de acordo com a realidade de cada região.


    Abrati News: Ouro e Prata conecta 100% da frota via satélite

    A empresa Ouro e Prata passou a oferecer internet via satélite em 100% de sua frota com a tecnologia Opconecta.

    O sistema funciona inclusive em regiões sem cobertura de telefonia móvel, permitindo acesso contínuo a redes sociais, e-mails, streaming e ferramentas de trabalho. A velocidade pode chegar a 220 MB/s, com múltiplos acessos simultâneos.

    O projeto levou três anos de desenvolvimento e posiciona a empresa na vanguarda do atendimento ao passageiro conectado.


    Uma conclusão que vale para todo o setor

    A trajetória de Niege Chaves mostra que a transição energética é menos sobre tecnologia e mais sobre governança, previsibilidade e compromisso coletivo.

    Erros custam caro. Mas ignorar as lições custa ainda mais.

    E se há algo que essa geração de empresários já sabe, talvez seja isso: pode até não haver clareza absoluta sobre o modelo ideal — mas está cada vez mais claro o que não funciona mais.

    🎧 Ouça agora o episódio completo do Podcast do Transporte.

  • Recuperar passageiros é mais sustentável que eletrificar a frota do país, diz Semove

    Recuperar passageiros é mais sustentável que eletrificar a frota do país, diz Semove

    O novo episódio do Podcast do Transporte coloca no centro do debate um ponto crucial para o futuro da mobilidade urbana: descarbonizar é importante, mas recuperar passageiros pode ser ainda mais estratégico. A afirmação é de Richele Cabral, diretora da Semove, que apresentou dados contundentes sobre o impacto da perda de demanda no Estado do Rio de Janeiro.

    Recuperar passageiros no RJ = eletrificar toda a frota do Brasil

    Durante debates sobre descarbonização promovidos pelo Detro, Richele revelou um dado emblemático: se o Rio de Janeiro recuperasse a demanda perdida no transporte intermunicipal, o impacto ambiental seria equivalente à eletrificação de toda a frota de ônibus do país.

    A mensagem é direta: sustentabilidade começa com eficiência operacional. Não basta trocar o combustível se o sistema continuar perdendo usuários. Como ela resume, ônibus elétrico parado no congestionamento “não resolve nada”.

    O que o passageiro realmente quer? Tempo de viagem

    Estudos da NTU e da COPPE/UFRJ mostram que, embora a descarbonização seja relevante, ela não aparece entre as cinco principais prioridades do usuário. O fator decisivo para quem abandonou o ônibus é o tempo de deslocamento.

    As pesquisas indicam ainda que 70% dos usuários de motocicleta voltariam ao transporte coletivo se a viagem fosse mais rápida. O dado reforça a importância de políticas como faixas exclusivas, corredores estruturados e prioridade semafórica — medidas que tornam o ônibus competitivo frente ao transporte individual.

    Rio perdeu metade dos passageiros em 10 anos

    O sistema intermunicipal do Rio de Janeiro encolheu cerca de 50% na última década. A queda na demanda foi acompanhada pela redução proporcional da frota, da oferta e da quilometragem, gerando um ciclo de deterioração do serviço.

    O resultado foi uma migração consistente para carro, moto e aplicativos de transporte — alternativas mais poluentes, menos eficientes do ponto de vista coletivo e que ampliam congestionamentos e emissões.

    Faixas exclusivas enfrentam resistência — mas beneficiam mais gente

    Segundo Richele, a resistência às faixas exclusivas parte, em grande medida, de quem não utiliza o transporte coletivo, mas exerce forte influência na opinião pública. O argumento central é simples: um ônibus transporta entre 40 e 50 pessoas, enquanto um carro leva, em média, uma ou duas.

    Garantir prioridade ao ônibus significa beneficiar um número muito maior de cidadãos com o mesmo espaço viário. Superar esse preconceito é passo fundamental para tornar a mobilidade urbana mais eficiente e sustentável.

    Indústria avança em múltiplas tecnologias

    No episódio, Márcia Pinna, da Technibus, entrevista Ricardo Portolan, diretor da Marcopolo. Ele confirma que a indústria nacional amplia seu portfólio de tecnologias sustentáveis.

    Em 2026 começam as entregas dos primeiros ônibus a biometano. Modelos híbridos elétrico-etanol entram em operação assistida, enquanto projetos com hidrogênio seguem em desenvolvimento. Para Portolan, o caminho não é apostar em uma única solução energética, mas diversificar.

    ABC paulista mostra que ouvir o passageiro funciona

    O jornalista Adamo Bazani apresenta o case do Circular da Saúde, em Santo André, no ABC paulista. A linha foi criada a partir de dados de bilhetagem, pedidos da população e roteirização inteligente.

    O serviço aplica conceitos de transporte sob demanda dentro do sistema regular e alcançou 91% de aprovação, segundo o Instituto Paraná Pesquisas. O resultado é aumento contínuo da demanda e uma lição objetiva: para atrair passageiros, é preciso atender às suas necessidades reais.

    Abrati News

    A ANTT vai atualizar as normas do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), alinhando-as à legislação vigente, com diretrizes sobre tempo de espera, atendimento humano, acessibilidade e tratamento das demandas.

    A consulta pública já está aberta, e a sessão híbrida — presencial e online — acontece no dia 3 de março, em Brasília.

    Depoimento LatBus – Nansen

    O episódio traz ainda o depoimento de Denner Andrade, gerente de contas da Nansen, que confirmou a presença da empresa na LatBus 2026. Segundo ele, o evento é estratégico para o setor e reunirá as principais empresas do mercado.


    🎧 Ouça agora o Podcast do Transporte e entenda por que recuperar passageiros pode ser a medida mais sustentável — econômica, ambiental e socialmente — para o futuro da mobilidade urbana no Brasil.

  • Marco Regulatório da Mobilidade Urbana avança no Congresso

    Marco Regulatório da Mobilidade Urbana avança no Congresso

    O Episódio 133 do Podcast do Transporte entra nos bastidores das articulações em curso no Congresso Nacional para destravar o Marco Regulatório da Mobilidade Urbana e ampliar os recursos destinados ao custeio do transporte público nas cidades brasileiras.

    Alexandre Pelegi conduz as conversas com João Lucas Albuquerque Oliveira, gerente de Mobilidade Urbana da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), e Ronan Araujo Bento de Castro, analista legislativo, que detalham os próximos passos no Legislativo e os desafios para garantir que os recursos cheguem aos municípios com regras claras, transparência e sem distorções.

    Urgência nas votações e novas fontes de financiamento

    Um pedido de urgência para a tramitação do Marco Regulatório, já apresentado pelas principais entidades ligadas ao transporte público, aguarda avaliação das lideranças partidárias. Caso aprovado, o texto poderá seguir diretamente para votação em plenário, acelerando uma pauta considerada estratégica para os municípios.

    Segundo João Lucas e Ronan Castro, cresce entre os deputados a percepção da importância política e da visibilidade eleitoral do apoio ao transporte público. Esse movimento já se reflete no uso de emendas parlamentares voltadas ao custeio direto da mobilidade urbana, algo antes pouco explorado.

    Os especialistas destacam, porém, que os municípios estão atentos à necessidade de regras claras, mecanismos de fiscalização e sistemas de dados confiáveis, para evitar mau uso dos recursos. Como referência, citam os modelos consolidados da saúde e da educação, que contam com estruturas nacionais de monitoramento como o SUS e o INEP.

    Nesse contexto, ganha relevância o Indicador de Financiamento e Equidade Municipal (IFEM), lançado no fim do ano passado, que expõe distorções significativas na distribuição atual do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e pode servir de base técnica para decisões mais justas no financiamento da mobilidade.

    Trem Intercidades: São Paulo–Campinas mais perto dos trilhos

    O episódio também traz atualizações sobre o Trem Intercidades (TIC), que ligará São Paulo a Campinas. Márcia Pinna, da Technibus, adianta que as obras estão previstas para começar em maio de 2026.

    Já o CEO da TIC Trens, Pedro Moro, detalha os avanços no trecho Jundiaí–Campinas e os desafios técnicos envolvidos na compatibilização da operação de passageiros com a malha de cargas da MRS Logística, um dos pontos mais sensíveis do projeto.

    Grupo Comporte amplia atuação além dos transportes

    Outro destaque do episódio é a expansão do Grupo Comporte, controlado pela família Constantino Oliveira. Adamo Bazani analisa como o conglomerado, que já opera mais de 7 mil ônibus e avança no setor metroferroviário, diversifica agora seus investimentos para além da mobilidade.

    A novidade é a entrada no setor de energia renovável, com participação em projetos eólicos no Rio Grande do Sul, reforçando uma estratégia de diversificação e sustentabilidade de longo prazo.

    Abrati News: Carnaval aquece as viagens rodoviárias

    No quadro Abrati News, Letícia Pineschi, conselheira da Abrati, projeta um crescimento de 15% nas viagens rodoviárias durante o carnaval em comparação com o ano passado.

    Janeiro já registrou 4,5 milhões de passageiros em ônibus interestaduais, e fevereiro deve acrescentar mais 3,5 milhões ao total. A entidade reforça o alerta: evitar o transporte clandestino e comprar passagens sempre por canais oficiais, garantindo segurança e direitos ao passageiro.

    Editorial: recursos precisam de rota clara

    No editorial do episódio, Alexandre Pelegi chama atenção para o debate sobre a faixa azul para motociclistas. Ele ressalta que a medida, isoladamente, não resolve o aumento dos acidentes, frequentemente associados ao excesso de velocidade, falta de fiscalização e pressão por tempo.

    A faixa azul surgiu para organizar um espaço que já era usado informalmente por motociclistas entre os carros, trazendo mais visibilidade e previsibilidade e reduzindo conflitos laterais. No entanto, o crescimento das entregas por aplicativo e do mototáxi intensifica a urgência e incentiva comportamentos de risco.

    Por isso, a faixa azul precisa estar integrada a políticas mais amplas, que envolvam educação no trânsito, gestão de velocidades e regulação das plataformas digitais.


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    O Podcast do Transporte é uma produção do Diário do Transporte, da OTM Technibus e da ANTP, com produção da Toda Onda.

  • Rio de Janeiro inicia virada inédita no transporte intermunicipal

    Rio de Janeiro inicia virada inédita no transporte intermunicipal

    Nova licitação troca outorga por frota limpa, reorganiza linhas e promete elevar o padrão de qualidade

    Depois de mais de uma década marcada por contratos precários e soluções provisórias, o transporte intermunicipal do Rio de Janeiro se prepara para uma transformação estrutural. O governo estadual está prestes a lançar uma nova licitação que rompe com o modelo tradicional de cobrança de outorga e passa a exigir, como contrapartida, investimentos diretos em frota limpa, infraestrutura e melhoria efetiva do serviço ao passageiro.

    A proposta foi o centro do debate no Podcast do Transporte, em conversa conduzida por Alexandre Pelegi com Raphael Salgado, presidente do Detro-RJ, Richele Cabral, representante da Semove, e William Aquino, da ANTP. O consenso é claro: trata-se de uma mudança profunda, necessária — mas cheia de desafios.


    🔌 Um novo modelo para um sistema que precisa renascer

    O edital estabelece um conjunto de exigências que, se cumpridas, elevam significativamente o padrão do transporte intermunicipal fluminense:

    • 100% da frota com ar-condicionado
    • 10% de veículos de zero emissão
    • Idade média máxima da frota de 6 anos
    • Nenhum ônibus com mais de 12 anos de uso
    • Reorganização de mais de 100 linhas hoje sobrepostas
    • Divisão da Região Metropolitana em 8 lotes
    • Concessões de 15 anos, renováveis por mais 15 mediante cumprimento de metas de qualidade

    Sem possibilidade de subsídios diretos — por conta do regime de recuperação fiscal do Estado — o modelo aposta em contratos mais longos e previsibilidade regulatória para viabilizar os investimentos.

    Segundo Raphael Salgado, haverá um reajuste tarifário moderado, mas o retorno ao passageiro será imediato: ônibus novos, climatizados, menos quebras e maior confiabilidade na operação. Para ele, a licitação corrige distorções históricas e reposiciona o poder público como planejador do sistema, e não apenas como homologador de linhas.


    🚌 Operadores apoiam, mas pedem realismo

    Do lado das empresas, a avaliação é positiva, porém cautelosa. Richele Cabral, da Semove, afirma que o setor reconhece a importância da transição energética e está disposto a investir em novas tecnologias. O alerta, no entanto, é direto: sem recuperar passageiros perdidos ao longo dos anos, não há modelo que se sustente.

    Ela lamenta a ausência de subsídios tarifários no edital e defende que esse seria o verdadeiro fator de transformação para o usuário final, reduzindo o impacto do custo sobre a tarifa e estimulando o retorno da demanda ao transporte coletivo regular.


    📊 Contrato moderno e alinhado às melhores práticas

    Para William Aquino, da ANTP, o desenho da licitação aproxima o Rio de Janeiro das melhores práticas nacionais e internacionais. O modelo prioriza contratos baseados na oferta de serviço, custos mais transparentes, indicadores objetivos de qualidade e mecanismos de reajuste condicionados ao desempenho.

    Aquino destaca ainda que a proposta fortalece o papel do poder concedente, que deixa de atuar de forma passiva e passa a organizar o sistema, criando concorrência “pelo mercado” — e não apenas dentro dele.


    ⚡ O mundo acelera — e o Brasil observa

    Em sua coluna, Márcia Pinna, da Technibus, amplia o olhar para fora do país. Ela mostra como o mercado africano de ônibus elétricos cresce rapidamente, impulsionado por fabricantes chineses e iniciativas locais de descarbonização.

    O movimento acende um sinal de alerta para a indústria brasileira, especialmente diante das discussões sobre importação de veículos desmontados (CKD/SKD) e da concorrência com produtos fortemente subsidiados no exterior.


    🔌 Roubo de cabos: um problema nacional

    Outro tema crítico abordado é o furto de cabos e equipamentos em sistemas sobre trilhos. Adamo Bazani, do Diário do Transporte, mostra que o problema — já conhecido no Metrô de São Paulo — se espalha por todo o país, com quadrilhas especializadas causando interrupções frequentes e riscos operacionais.

    A resposta começa a ganhar escala nacional. A ANPTrilhos tem atuado junto ao poder público e já obteve avanços importantes, como a aprovação do aumento da pena para esse tipo de crime.


    🚌 Abrati News: nova rodoviária de Salvador

    Abrati destaca a mudança das operações para a Nova Rodoviária da Bahia, em Águas Claras. O novo terminal conta com estrutura moderna, integração ao metrô e sistemas avançados de segurança. A transferência ocorre em período crítico — férias e carnaval — exigindo comunicação clara e reforçada das empresas com os passageiros.


    📝 Editorial: ilegalidade não se disfarça com ar-condicionado

    No editorial da semana, Alexandre Pelegi é direto: qualidade operacional não transforma um serviço ilegal em legal. Ele critica tentativas de relativizar a clandestinidade no transporte rodoviário e reforça pontos essenciais:

    • não existe clandestino premium;
    • não existe ilegal “com bom atendimento”;
    • ônibus novo não substitui autorização;
    • aplicativo bonito não substitui outorga;
    • simpatia do motorista não substitui a lei.

    A clandestinidade, lembra Pelegi, prejudica quem opera corretamente, enfraquece o Estado e coloca o passageiro em risco — inclusive sem cobertura de seguro. Segurança jurídica no transporte não é detalhe: é questão de vida ou morte.


    🎧 Um episódio para entender o futuro do transporte

    episódio 132 do Podcast do Transporte conecta todos esses temas — regulação, tecnologia, segurança pública e legalidade — mostrando como decisões estruturais moldam o futuro do transporte coletivo no Brasil.

    O podcast é uma produção do Diário do Transporte, da OTM Technibus e da ANTP, com produção da Toda Onda.

  • Pix por aproximação nos ônibus de São Paulo revoluciona o pagamento da passagem

    Pix por aproximação nos ônibus de São Paulo revoluciona o pagamento da passagem

    Tecnologia de Prodata e Primova inaugura nova fase da mobilidade digital no transporte paulistano

    O transporte público de São Paulo dá mais um passo decisivo rumo à digitalização. Pagar a passagem de ônibus agora pode ser tão simples quanto encostar o celular no validador. A novidade — o Pix por aproximação — é o grande destaque do episódio 131 do Podcast do Transporte, apresentado por Alexandre Pelegi, que reuniu representantes da Prodata, Primova e Cittamobi para discutir a inovação e seus impactos na mobilidade urbana.

    Pix no ônibus: rápido, simples e sem Bilhete Único

    A possibilidade de pagar a tarifa diretamente com Pix, sem necessidade de Bilhete Único físico, representa um avanço concreto na experiência do passageiro. Turistas, visitantes e usuários ocasionais — que muitas vezes enfrentam dificuldades para adquirir ou recarregar cartões — passam a ter um acesso muito mais simples ao sistema.

    Segundo Roberto Pavan, gerente comercial da Prodata, a tecnologia já está integrada aos validadores mais recentes e pode ser ativada em toda a frota paulistana. O sistema foi pensado para ser escalável, seguro e compatível com a infraestrutura existente.

    Já Paulo Fraga, diretor comercial da Primova, detalha um diferencial importante: o modelo nasce com quatro modalidades de uso — tarifa comum, bilhete diário, semanal e mensal. Isso amplia a flexibilidade para o passageiro e aproxima o transporte público da lógica de consumo digital que já faz parte do dia a dia da população.

    Cittamobi: de aplicativo de horários a plataforma de mobilidade

    Outro destaque do episódio é a evolução do Cittamobi. A diretora de relações institucionais da Primova, Emanuelle Cassimiro, explica como o aplicativo deixou de ser apenas uma ferramenta de consulta de horários e rotas para se tornar uma plataforma completa de mobilidade urbana.

    Hoje, o Cittamobi conecta passageiros, operadores e prefeituras. O app permite o envio de alertas, realização de pesquisas, registro de problemas e até a implementação rápida de políticas públicas. Um exemplo citado foi Sorocaba, onde uma operação de tarifa zero pôde ser configurada em poucos segundos, mostrando o potencial da tecnologia como instrumento de gestão.

    Comunicação: o elo que ainda falta no transporte

    A pesquisadora Ana Carolina Nunes, da iniciativa Cidade a Pé, reforça um ponto essencial: transporte público não é só veículo e tecnologia, é também comunicação. Para ela, o passageiro precisa compreender como o sistema funciona, conhecer seus direitos e saber como participar.

    Essa compreensão melhora contratos, fortalece a fiscalização e contribui para decisões mais eficientes por parte do poder público. Comunicação clara e acessível, segundo a pesquisadora, é parte estrutural de um transporte de qualidade.

    Ônibus velhos em São Paulo: o alerta de Adamo Bazani

    Nem tudo, porém, são boas notícias. O jornalista Adamo Bazani, do Diário do Transporte, traz dados preocupantes: mais de 2.200 ônibus com idade entre 11 e 13 anos ainda circulam na capital paulista, contrariando metas de renovação da frota e promessas de eletrificação.

    A falta de planejamento, infraestrutura inadequada e decisões estratégicas mal executadas seguem atrasando a transição energética do sistema, colocando em risco a eficiência e a sustentabilidade do transporte urbano.

    Santos e seus bondes históricos

    Em contraste, a cidade de Santos surge como exemplo positivo. Márcia Pinna, da Technibus, conta como o município preserva e moderniza seu acervo de bondes históricos — alguns deles já operando com energia solar. A iniciativa transforma o patrimônio histórico em referência nacional de inovação e sustentabilidade.

    Segurança nos terminais

    No quadro Abrati News, Letícia Pineschi aborda o avanço de tecnologias de segurança em grandes terminais rodoviários. Sistemas de câmeras com reconhecimento facial já estão em operação em cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, reforçando o monitoramento e a prevenção de crimes em áreas de grande circulação.

    Editorial: o Rio de Janeiro e a transição energética

    O episódio se encerra com um editorial sobre o Fórum de Transição Energética do Detro, no Rio de Janeiro. O debate propõe um novo modelo de licitação no transporte intermunicipal fluminense, substituindo a tradicional outorga financeira por investimento direto em ônibus limpos — uma mudança que pode acelerar a descarbonização do setor.

    A chegada do Pix por aproximação aos ônibus de São Paulo mostra que inovação, quando bem aplicada, melhora a experiência do usuário e fortalece a gestão do transporte. Mas o episódio também deixa claro: tecnologia precisa caminhar junto com planejamento, comunicação e renovação estrutural para que a mobilidade urbana avance de forma consistente e sustentável.

  • Exclusivo: Prodata e Mais Mobi anunciam aliança inédita no Podcast do Transporte

    Exclusivo: Prodata e Mais Mobi anunciam aliança inédita no Podcast do Transporte

    O Podcast do Transporte foi o palco escolhido para uma revelação histórica no setor de mobilidade urbana. As gigantes Prodata e Mais Mobi anunciaram, com exclusividade, uma aliança estratégica inédita que promete transformar a comunicação entre operadoras e passageiros em todo o país.

    A parceria une tecnologia de ponta, atendimento direto e benefícios voltados à experiência do usuário, elevando o passageiro ao patamar de cliente conectado e valorizado. É o início de uma nova era para o transporte público brasileiro — mais integrada, inteligente e próxima das pessoas.

    “Estamos somando expertises para entregar soluções completas, capazes de conectar dados, operação e usuário em tempo real”, afirma João Ronco, representante da Prodata.
    “Nosso objetivo é simplificar a jornada do passageiro e fortalecer o relacionamento das operadoras com quem mais importa: o cidadão”, complementa Armando Guerra Jr., da Mais Mobi.

    A conversa, mediada por Alexandre Pelegi, mergulha nos bastidores dessa união estratégica e antecipa as inovações que devem marcar o futuro da mobilidade conectada — um modelo em que informação, integração e experiência fluem em harmonia.

    🎙️ Entrevista: João Ronco (Prodata) e Armando Guerra Jr. (Mais Mobi / Semove)
    🗣️ Apresentação: Alexandre Pelegi

    🔗 Ouça agora e descubra o futuro da mobilidade conectada:

    🚀 Uma nova era da mobilidade começa aqui

    A aliança entre Prodata e Mais Mobi simboliza um passo decisivo rumo a um ecossistema de transporte mais humano, digital e eficiente. A integração de plataformas e tecnologias amplia o potencial de análise de dados, comunicação e gestão operacional, ao mesmo tempo em que entrega mais conforto, previsibilidade e informação ao passageiro.

    O futuro da mobilidade urbana está mais próximo — e ele começa com conexão, colaboração e propósito.

  • Arena ANTP e o Caderno Técnico 30: o estado da arte da tecnologia no transporte

    Arena ANTP e o Caderno Técnico 30: o estado da arte da tecnologia no transporte

    O Podcast do Transporte desta semana esquenta os motores para a Arena ANTP 2025, que acontece de 28 a 30 de outubro em São Paulo. E com ela, chega o aguardado Caderno Técnico número 30 da ANTP, dedicado aos sistemas tecnológicos no transporte por ônibus. O conteúdo foi coordenado por Luis Carlos Néspoli, o Branco, e organizado pelo especialista Helcio Raymundo, que explica como o material reúne grande variedade de experiências, análises e perspectivas sobre bilhetagem, telemetria, monitoramento e integração — tudo em linguagem acessível para técnicos, gestores e usuários.

    Bilhetagem brasileira: robusta, segura e integrada

    Marco Antônio Tonussi, diretor da Tacom, um dos colaboradores do Caderno 30 da ANTP,  destaca que o Brasil desenvolveu um sistema de bilhetagem eletrônico próprio, com o necessário foco em segurança e controle de fraudes, diferente dos modelos simplificados da Europa e Ásia. Para ele, o Brasil desenvolveu tecnologia avançada de operação com moeda eletrônica e integradores financeiros que mantêm sob sua responsabilidade as chaves de segurança. Isso garante confiabilidade e continuidade na operação, segundo Tonussi, que também explica que a integração metropolitana é tecnicamente simples — o desafio está no critério de distribuição da receita entre os operadores.

    Multimodalidade europeia: o que Adamo viu na Bélgica e Alemanha

    Adamo Bazani, editor do Diário do Transporte, relata sua experiência com os sistemas de transporte público em Bruxelas e Mannheim. Na Europa, ônibus e VLTs compartilham vias e operam com integração total. Apesar da infraestrutura maior, o metrô belga mostrou falhas como trens antigos e estações sujas. Já o metrô paulista, com ar-condicionado, sinalização sonora e mapas bilíngues, se destaca em conforto e informação. Mas no viário, o Brasil ainda enfrenta buracos e desníveis que comprometem a operação.

    Mobilidade ativa: o Bonde a Pé até a ArenaANTP

    Silvia Stucchi, do Instituto Corrida Amiga, convida os participantes da Arena ANTP 2025 para chegarem ao evento caminhando. O Bonde a Pé parte da estação Santo Amaro e transforma o trajeto em uma experiência de troca, observação e pesquisa de caminhabilidade. Os dados coletados serão encaminhados ao poder público como contribuição para melhorar o espaço urbano.

    Segurança nas estradas: sono monitorado e atenção redobrada

    Márcia Pinna, editora da Technibus apresenta os investimentos da Viação Águia Branca em segurança viária. A empresa ampliará seus laboratórios de medicina do sono e já opera com protocolos em três fases: exames antes da viagem, monitoramento em tempo real e testes de fadiga ao final da jornada. Com câmeras inteligentes e centros de controle, a empresa reduziu em 40% os casos de sonolência ao volante. A Águia Branca também criou a We Safety, empresa dedicada à consultoria em segurança viária.

    Painéis da Arena: dados, hubs e boas práticas

    Gustavo Balieiro, da BUS2, convida para o painel sobre qualidade e utilidade dos dados na mobilidade, com visões que vão do prefeito de Campina Grande à presidente da ATP, Tula Vardaramatos. Outro destaque será o painel sobre terminais e parcerias público-privadas, com nomes como Paulo Alencar (ABRATI), Rodrigo Toledo (Socicam), Santiago Yus (AENA), Rèmy Tao (AFD) e Silvia Bresser (Metrô/SP), moderado por Leticia Pineschi.

    Editorial – São Paulo mudou de endereço

    Alexandre Pelegi encerra o episódio com uma crônica sobre a nova São Paulo pós-pandemia. O centro ainda é o centro, mas o coração da cidade se espalhou pelos bairros. Com o home office, os escritórios perderam movimento e os bairros ganharam vida — e isso redesenha os desafios da mobilidade. O transporte público precisa acompanhar essa cidade que agora tem mil centros pulsando ao mesmo tempo. Essa transformação estará no centro dos debates do Arena ANTP 2025, especialmente no painel sobre a Pesquisa Origem e Destino do Metrô.

    🎧 Informação com análise é no Podcast do Transporte. Episódio novo toda quarta-feira pelo Spotify (ouça aqui) ou no seu agregador favorito.


    Veja os cortes no
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    📌Produção: 
    Diário do Transporte, Technibus/OTM Editora e ANTP.
    Patrocínio: Arena ANTP e Abrati. Apoio: Mercedes-Benz Ônibus, Transdata e Prodata Mobility Brasil.

  • EP116: Tarifa Zero — da utopia à política pública

    Imagine uma cidade onde se pode circular livremente — sem catracas, sem barreiras, sem a culpa de contar moedas no fundo do bolso. Onde o transporte público é visto não como despesa, mas como investimento em dignidade, saúde e liberdade. Essa ideia, que durante décadas soou como utopia, hoje volta com força ao centro do debate: a Tarifa Zero.

    No episódio desta semana do Podcast do Transporte, a proposta que um dia foi chamada de “radical” é revisitada à luz de um novo cenário político. Prefeituras de diferentes partidos já começam a testar o modelo, e o governo federal acompanha de perto os resultados. Para Lúcio Gregori, ex-secretário de Transportes da gestão Luiza Erundina em São Paulo, a Tarifa Zero é mais do que uma política de mobilidade — é uma proposta sobre justiça social e distribuição de riqueza. “Trata-se de decidir quem paga e quem se beneficia da cidade”, resume. Já Ailton Brasiliense, presidente da ANTP, aponta os caminhos técnicos e financeiros que podem tornar o sonho possível: “é viável — desde que tenhamos coragem de mudar prioridades”.

    Ouça Agora!


    Transporte que cuida de corpos e mentes

    Mas a Tarifa Zero não fala apenas de economia. Fala de gente.
    Daniel Santini, da Fundação Rosa Luxemburgo, amplia o olhar: “Transporte não é só deslocamento para o trabalho — é também saúde mental, lazer, tempo de qualidade”. Ele defende uma mobilidade que seja divertida, leve e intermodal, capaz de integrar ônibus, metrôs, bicicletas e caminhadas. Para ele, cidades mais humanas nascem quando o transporte se torna parte da vida, e não um fardo diário. O alerta é urgente: mesmo após a pandemia, o transporte público segue perdendo passageiros — e cada assento vazio representa menos vitalidade urbana e mais desigualdade social.


    Quando o transporte é feito por e para quem cuida

    Nas cidades brasileiras, a mobilidade ainda tem gênero.
    A socióloga Clareana Cunha, do Instituto Pólis, lembra que o sistema foi desenhado pensando no homem provedor — e esqueceu as trajetórias de quem cuida. “As mulheres fazem a maioria das viagens de cuidado: levam filhos à escola, acompanham idosos, resolvem tarefas do dia a dia. E muitas dessas viagens são a pé”, explica. Em São Paulo, 62% dessas viagens são feitas por mulheres — mais da metade sem acesso a um veículo. Clareana propõe cidades feministas, onde o transporte público reconheça e valorize o trabalho invisível que sustenta o cotidiano urbano.


    Tarifa Zero como política de saúde e igualdade

    A Arena ANTP dedicará uma mesa especial para discutir a Tarifa Zero sob duas perspectivas poderosas: saúde pública e trabalho de cuidados. Mediado por Daniel Santini, o debate reunirá Letícia Cardoso (Ministério da Saúde), Kelly Cristina Augusto (GIZ), Lorena Freitas (ITDP) e Clareana Cunha (Instituto Pólis). A proposta é clara: mostrar como o transporte gratuito pode ser uma política de prevenção, de acesso à saúde e de reconstrução das cidades sob uma ótica mais justa e inclusiva.


    O futuro elétrico que já está chegando

    Enquanto o Brasil discute tarifas, o mundo se prepara para uma revolução silenciosa nas garagens. Na Busworld 2025, em Bruxelas, o jornalista Adamo Bazani traz o retrato do que vem pela frente: ônibus elétricos, infraestrutura inteligente e gestão de energia em tempo real. Alexandre Nogueira e Walter Barbosa, executivos da Mercedes-Benz, revelam que a transição para a eletromobilidade exige muito mais do que trocar motores — pede novas formas de pensar a cidade e o transporte. Do veículo à bateria, da garagem à gestão de frota, a mudança está em curso.


    Um novo jeito de viajar pelo Brasil

    A inovação também chega às rodovias. A plataforma multimodal OMIO, com mais de um bilhão de usuários no mundo, acaba de desembarcar no Brasil. Segundo Vitor Lalor, diretor da empresa, o país tem um potencial gigantesco no turismo doméstico e na integração entre o transporte rodoviário e o aéreo. Com presença em 95% das rotas nacionais e parceria com 300 viações, a OMIO quer facilitar o acesso de brasileiros e estrangeiros às nossas estradas — e transformar o modo como viajamos pelo país.


    Quem voa e quem roda: a provocação final

    No editorial que encerra o episódio, Alexandre Pelegi lança uma reflexão que ecoa: “Comparar avião e ônibus só faz sentido se todos tivessem a mesma escolha.”
    Os dados da PNAD Turismo 2024 mostram que, entre os mais pobres, o ônibus ainda é o principal meio de transporte — o elo que liga o Brasil real. Já entre os mais ricos, o avião domina o mapa. Mesmo com estradas precárias e concorrência desleal, o ônibus segue sendo o único que garante gratuidade a quem mais precisa.
    Pelegi conclui: em um país tão desigual, o ônibus não é apenas um veículo. É o caminho que mantém o Brasil inteiro em movimento.


    🎧 Podcast do Transporte – informação, análise e propósito.
    Uma produção do Diário do Transporte, Technibus/OTM Editora e ANTP.
    Editor geral: Alexandre Pelegi
    Patrocínio: Arena ANTP e Abrati.
    Apoio: Mercedes-Benz Ônibus, Transdata e Prodata Mobility Brasil.
    Produção: Toda Onda